<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-2958089694474135059</id><updated>2012-02-06T11:27:08.265Z</updated><title type='text'>Conta-me uma estória</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://contameumaestoria.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2958089694474135059/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contameumaestoria.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>grassa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08493210197622744344</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://2.bp.blogspot.com/_ENV-_G6l0DY/S7oLYC8pa0I/AAAAAAAAA3c/StA7r4ZFBLY/S220/baby_wild.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>8</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2958089694474135059.post-3104325743660199764</id><published>2011-09-27T20:30:00.005+01:00</published><updated>2011-09-27T20:45:02.612+01:00</updated><title type='text'>Capítulo IV.I.III: Vou só ali e já venho</title><content type='html'>&lt;object data="http://flash-mp3-player.net/medias/player_mp3.swf" type="application/x-shockwave-flash" height="20" width="200"&gt;      &lt;param name="movie" value="http://flash-mp3-player.net/medias/player_mp3.swf"&gt;     &lt;param name="bgcolor" value="#ffffff"&gt;    &lt;param name="FlashVars" value="mp3=http://lamda.bluelaguna.net/ccmusic/38%20-%20Optimism.mp3&amp;amp;buttonovercolor=e8e8e8&amp;amp;slidercolor1=fcfcfc&amp;amp;slidercolor2=999999&amp;amp;sliderovercolor=ebebeb"&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;font-size:180%;" &gt;C&lt;/span&gt;om a típica calma de alguém que, na distracção de um assobio, ainda não se apercebeu que o guindaste tem o piano mesmo por cima de si, o Didelet escutou, com a atenção possível, o que a faia tinha para lhe contar, antes de dar a melhor resposta que a unicidade da sua lógica tinha para ofertar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Tenho fome. Onde é que se come melhor para estes lados?,&lt;/span&gt;" perguntou a anafada massa molecular enquanto, com uma pancada seca no ouvido esquerdo, fazia saltar do ouvido direito um torrão ainda lá alojado desde a sua última queda em si.&lt;br /&gt;"&lt;span style="font-style: italic; font-weight: bold;"&gt;É com base nessa premissa que vais tomar a decisão do teu rumo?,&lt;/span&gt;" procurou saber a árvore.&lt;br /&gt;"&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Não, claro que não,&lt;/span&gt;" retorquiu o Didelet. "&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Essa decisão já está tomada. Agora só preciso de saber onde posso saciar o apetite para saber para onde vou.&lt;/span&gt;"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fosse por percepção imediata da inutilidade que isso seria, fosse por fruto da experiência que anos e anos de existência vivida como marco lhe trouxeram, a verdade é que a faia decidiu nem sequer tentar compreender o nexo por detrás do raciocínio do Didelet. Ao invés disso, a árvore preferiu antes dar lugar ao pragmatismo.&lt;br /&gt;"&lt;span style="font-style: italic; font-weight: bold;"&gt;Bom, tens a Loja das Sopas às portas de À-dos-Horrores, que se encontra sob a gestão das Três Irmãs. Suponho que seja o estabelecimento de restauração mais próximo.&lt;/span&gt;"&lt;br /&gt;"&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Óptimo! Perfeito! Nesse caso, vou-me pôr a andar, que isto da fome tem tanto de contínua como de incremental,&lt;/span&gt;" proferiu o Didelet, imediatamente antes de esboçar um movimento para se levantar e perceber, pelo estalar na sua espinha e pelo latejar de toda a sua estrutura muscular, que o tombo de há um bocado ainda lhe estava a cobrar juros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao som de um ranger lenhoso, a extensa árvore estendeu o ramo que usa como braço direito à frente do Didelet e, cerrando o punho, deixou de fora apenas o toco que usa como mindinho.&lt;br /&gt;"&lt;span style="font-style: italic; font-weight: bold;"&gt;Toma. Arranca-me esse galho,&lt;/span&gt;" rogou a faia com empatia. "&lt;span style="font-style: italic; font-weight: bold;"&gt;Não te preocupes: voltará a crescer. É melhor esse galho vivo que qualquer um dos que já me caíram. Aguentará mais tempo viçoso e suportará melhor o teu peso.&lt;/span&gt;"&lt;br /&gt;"&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Sois por demais simpático,&lt;/span&gt;" aquiesceu o Didelet enquanto, com uma torção, desprovia a faia de duas falanges.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com um esforço herculeano, o espesso homem ergueu-se, desafiando cada fibra do improvisado cajado com a insustentável leveza do seu ser.&lt;br /&gt;"&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Muito obrigado por tudo,&lt;/span&gt;" reforçou o Didelet. "&lt;span style="font-style: italic;"&gt;E as minhas mais sinceras desculpas por qualquer incómodo que lhe possa ter causado.&lt;/span&gt;"&lt;br /&gt;Com meia translação, o Didelet deu a volta à densa árvore e iniciou a sua diligente caminhada pela popa desta. "&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Até já.&lt;/span&gt;"&lt;br /&gt;"&lt;span style="font-style: italic; font-weight: bold;"&gt;Até uma próxima,&lt;/span&gt;" reenvidou a faia de forma mais perene, antes de soltar um último reparo.&lt;br /&gt;"&lt;span style="font-style: italic; font-weight: bold;"&gt;Vejo que optaste por À-dos-Horrores. Tens a coragem de muitos.&lt;/span&gt;"&lt;br /&gt;"&lt;span style="font-style: italic;"&gt;À-dos-Horrores? Credo, não! Com esse nome, só se fosse doido é que seguiria nessa direcção. Não. Eu pensei melhor e vou para os Jardins da Babilónia. Abandonei a ideia de voltar atrás. Desconfio, para não dizer que tenho a certeza, que aqueles tipos não jogam com o baralho todo. Só me iam estragar o sonho. Agora, vou só ali à Loja das Sopas matar a fome e já volto. Como disse: até já,&lt;/span&gt;" categorizou com firmeza o Didelet.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A faia aguardou que mais uns custosos passos fossem dados antes de sorrir e erguer um braço e quatro dedos no ar.&lt;br /&gt;"&lt;span style="font-style: italic; font-weight: bold;"&gt;Até uma próxima,&lt;/span&gt;" repicou novamente a faia...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(&lt;span style="font-style: italic;"&gt;próximo capítulo: IV.II, com as restantes personagens&lt;/span&gt;)&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2958089694474135059-3104325743660199764?l=contameumaestoria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://contameumaestoria.blogspot.com/feeds/3104325743660199764/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2958089694474135059&amp;postID=3104325743660199764' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2958089694474135059/posts/default/3104325743660199764'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2958089694474135059/posts/default/3104325743660199764'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contameumaestoria.blogspot.com/2011/09/capitulo-iviiii-vou-so-ali-e-ja-venho.html' title='Capítulo IV.I.III: Vou só ali e já venho'/><author><name>grassa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08493210197622744344</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://2.bp.blogspot.com/_ENV-_G6l0DY/S7oLYC8pa0I/AAAAAAAAA3c/StA7r4ZFBLY/S220/baby_wild.jpg'/></author><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2958089694474135059.post-3777231450413978629</id><published>2010-10-20T11:35:00.008+01:00</published><updated>2011-09-27T14:05:11.577+01:00</updated><title type='text'>Capítulo IV.I.II: A marcar passo</title><content type='html'>&lt;object data="http://flash-mp3-player.net/medias/player_mp3.swf" type="application/x-shockwave-flash" height="20" width="200"&gt;      &lt;param name="movie" value="http://flash-mp3-player.net/medias/player_mp3.swf"&gt;     &lt;param name="bgcolor" value="#ffffff"&gt;    &lt;param name="FlashVars" value="mp3=http://lamda.bluelaguna.net/ar-tolenico-ost-soundtrack/111%20Tick-Tock%20Man.mp3&amp;amp;buttonovercolor=e8e8e8&amp;amp;slidercolor1=fcfcfc&amp;amp;slidercolor2=999999&amp;amp;sliderovercolor=ebebeb"&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;font-size:180%;" &gt;N&lt;/span&gt;um mundo de infinitos contextos, o detalhe é tudo. São os pequenos pormenores que, para além de servirem como o cimento e o tijolo da ambiência das cenas que definem, ajudam a edificar a lógica que lhes serve de alicerce.&lt;br /&gt;Pessoas há, no entanto, que insistem em retirar tudo do contexto. Extirpá-lo daquilo que ele levou anos e anos a amealhar. Esperar por ele atrás de um arbusto depois de ele sair de um dia difícil de trabalho a dar significado às coisas, apontar-lhe uma faca à barriga das ideias e levar-lhe tudo o que ele tiver de valor sintáctico na sua posse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pessoas como o Didelet.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Referir que o Didelet é um ser que, para além de revestido de quilos e quilos de unto, também se encontra revestido de uma camisa com estampados de flores, uns calções de praia roxos e umas havaianas a servir de separador entre ele e o solo é um detalhe. Daqueles detalhes que, se o contexto tivesse um carro e uma trela, seriam levados a passear à noite e abandonados ao quilómetro 117 da auto-estrada mais próxima.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Referir que uma árvore se encontra a falar com o Didelet é algo que estabelece a lógica mais imediata. A mais imediata e a mais óbvia mas, como se irá percebendo aos poucos, de óbvio a cognição do Didelet não tem nada.&lt;br /&gt;A cognição do Didelet é das poucas em todo o Multiverso que consegue olhar para isto...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_ENV-_G6l0DY/TL7GmpQfx_I/AAAAAAAAA6M/KQR5ALcXZ2A/s1600/elefante.jpg"&gt;&lt;img style="display: block; margin: 0px auto 10px; text-align: center; cursor: pointer; width: 320px; height: 230px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_ENV-_G6l0DY/TL7GmpQfx_I/AAAAAAAAA6M/KQR5ALcXZ2A/s320/elefante.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5530075759669921778" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;... e perguntar quem é o tipo de chapéu e cachimbo escondido atrás do elefante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seguindo essa sua tendência intrínseca de ignorar o raciocínio mais à mão e de mandar vir as suas próprias conclusões lá de fora, o Didelet recostou-se ainda mais no tronco e assumiu, com toda a naturalidade, que quem estava a falar com ele era não a árvore, mas alguém escondido no cimo desta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Peço desculpa, caro amigo, mas estou muito cansado e a sombra desta árvore pareceu-me convidativa,&lt;/span&gt;" disse o Didelet com a eloquência de um bêbado que ainda não se habituou a esse novo estado que é o de estar sóbrio. "&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Porque é que não desce daí e se junta a mim aqui em baixo? Talvez até me possa ajudar a perceber onde estou.&lt;/span&gt;"&lt;br /&gt;"&lt;span style="font-style: italic; font-weight: bold;"&gt;Aí em baixo?,&lt;/span&gt;" indagou respeitosa e momentaneamente a faia antes de perceber o mal-entendido. "&lt;span style="font-style: italic; font-weight: bold;"&gt;Oh, meu pobre mamífero, mas tu julgas que tenho alguém na minha copa a dirigir-se a ti? Não, pequenino: sou eu mesmo o teu interlocutor. Fazemos assim: podes manter-te aí mais um pouco enquanto descansas o corpo e rearranjas essas ideias.&lt;/span&gt;" Uma pequena pausa para esticar os ramos. "&lt;span style="font-style: italic; font-weight: bold;"&gt;És novo aqui no reino, jovem? Como te chamas?&lt;/span&gt;"&lt;br /&gt;"&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Didelet, para os amigos,&lt;/span&gt;" afirmou o Didelet. "&lt;span style="font-style: italic;"&gt;E para os outros também, agora que penso nisso. E sim, sou novo aqui. Mas só até acordar.&lt;/span&gt;"&lt;br /&gt;"&lt;span style="font-style: italic; font-weight: bold;"&gt;Prazer em conhecer-te, Didelet. Podes chamar-me Marco, se assim o desejares. Marco não é o meu nome, mas marco é o que eu sou. Algo que apreenderás com o tempo é que não existem placas nem nada de similar aqui que te dê direcções e rotas a tomar. Existem, isso sim, entidades lenhosas, como eu, estrategicamente plantadas ao longo das estradas principais. É só uma questão de nos perguntares e nós dizemos-te tudo o que geográfica e demograficamente precisas de saber. Bem melhor do que fazeres algo de tão impessoal e desenxabido como ler uma placa, não concordas?&lt;/span&gt;"&lt;br /&gt;"&lt;span style="font-style: italic;"&gt;É. Diz que sim. Bom, assim sendo,&lt;/span&gt;" declarou o Didelet, "&lt;span style="font-style: italic;"&gt;qual é o caminho de regresso ao casebre do ancião Verni? É que eu sei que isto é um sonho, mas esqueci-me de sonhar para onde é que isso fica...&lt;/span&gt;"&lt;br /&gt;"&lt;span style="font-style: italic; font-weight: bold;"&gt;Verni? O velho Verni? Hum. Está explicada a tua presença aqui, então. Vieste dali,&lt;/span&gt;" depôs a faia de ramal apontado a uma zona de arvoredo com aspecto de terra de ninguém. "&lt;span style="font-style: italic; font-weight: bold;"&gt;Tu vieste a voar, meu rapaz. Sem asas e sem trem de aterragem. Não deves estar muito longe do local de onde foste canhoneado, mas olha que voltar atrás de pouco te vai servir. Se bem conheço o Verni, a sua pequena "casa de campo" deve estar impenetrável a acessos do exterior. Irias apenas dar de caras com um grande descampado e todo um punhado de tempo perdido. Podes ir lá na mesma, se assim pretenderes. Para isso, basta tomares o caminho mesmo à tua frente. A uma poucas dezenas, talvez centenas de metros terás uma curva à direita que te leva a passares em anexo a uma clareira. Pela tua trajectória anterior, presumo que seja aí que Verni tenha assente arraiais. Agora, e já que estou com a voz activa,&lt;/span&gt;" prosseguiu demarcadamente a castaneácea, "&lt;span style="font-style: italic; font-weight: bold;"&gt;posso dizer-te para onde te leva o restante desta bifurcação. Ora então: aqui à tua direita, e a sensivelmente um dia de caminhada, tens os Jardins Suspensos da Babilónia. Suspensos porque os semi-deuses decretaram a sua suspensão após terem ajuizado que os jardins não reuniam as condições mínimas de segurança das pessoas que os visitavam. Digo-te já que a Babilónia ficou pior que estragada com isso. Aquela mulher sabe guardar rancores como ninguém. À tua esquerda, tens... bom, não tens nada. Assim de repente, lembro-me de um morro e pouco mais. E um riacho. Acho que há um riacho também. E um moinho. Se bem que acho que já ninguém habita ou trabalha naquele moinho. Enfim... por fim, atrás de nós, tens a vila de À-dos-Horrores. Não te sei dizer é a quanto tempo ou a que distância. O tempo é... incerto para aquelas zonas. E é um arrabalde perigoso. É só o que te digo. Tem muito cuidado se enveredares por aí...&lt;/span&gt;"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Didelet, o Narrador procura saber:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Qual a tua decisão perante o que te foi apresentado?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Submete a tua decisão por comentário ou, caso não  pretendas dar a conhecer a tua intenção a terceiros, submete por &lt;span style="font-style: italic;"&gt;email&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;És livre de optar por não fazer nada e, aí, estás por minha conta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para efeitos de intrigas e conspirações, o &lt;span style="font-style: italic;"&gt;email&lt;/span&gt; &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;contameumaestoria@gmail.com&lt;/span&gt; permanece sempre ao teu dispor.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2958089694474135059-3777231450413978629?l=contameumaestoria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://contameumaestoria.blogspot.com/feeds/3777231450413978629/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2958089694474135059&amp;postID=3777231450413978629' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2958089694474135059/posts/default/3777231450413978629'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2958089694474135059/posts/default/3777231450413978629'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contameumaestoria.blogspot.com/2010/10/capitulo-iviii-marcar-passo.html' title='Capítulo IV.I.II: A marcar passo'/><author><name>grassa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08493210197622744344</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://2.bp.blogspot.com/_ENV-_G6l0DY/S7oLYC8pa0I/AAAAAAAAA3c/StA7r4ZFBLY/S220/baby_wild.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_ENV-_G6l0DY/TL7GmpQfx_I/AAAAAAAAA6M/KQR5ALcXZ2A/s72-c/elefante.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2958089694474135059.post-6719547206872821264</id><published>2010-08-13T15:53:00.007+01:00</published><updated>2010-08-17T14:09:48.742+01:00</updated><title type='text'>Capítulo IV.I.I: Encruzilhadas</title><content type='html'>&lt;object data="http://flash-mp3-player.net/medias/player_mp3.swf" type="application/x-shockwave-flash" width="200" height="20"&gt;     &lt;param name="movie" value="http://flash-mp3-player.net/medias/player_mp3.swf"&gt;    &lt;param name="bgcolor" value="#ffffff"&gt;    &lt;param name="FlashVars" value="mp3=http://lamda.bluelaguna.net/ff9music/29%20-%20Steiner%27s%20Stealth.mp3&amp;amp;buttonovercolor=e8e8e8&amp;amp;slidercolor1=fcfcfc&amp;amp;slidercolor2=999999&amp;amp;sliderovercolor=ebebeb"&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;font-size:180%;" &gt;A&lt;/span&gt; custo, o Didelet abriu os olhos, e a primeira coisa que viu foi a tremenda dor de cabeça que lhe martelava o cérebro como um gongo.&lt;br /&gt;A segunda coisa que viu foi o azul do céu o que, para ele, significava uma de duas coisas: ou ele estava prostrado de barriga para cima no solo, ou o mundo estava a funcionar noventa graus ao lado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Optando pela primeira opção como sendo a mais viável, o Didelet tentou erguer-se, apenas para levar com um banho de dor em resposta. Sentia todo o corpo moído, como se alguém o tivesse usado durante horas a fio como &lt;span style="font-style: italic;"&gt;piñata&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;Uma segunda tentativa levou-o a conseguir rebolar o seu tronchudo ser para uma posição algures ali entre o deitado e o sentado. Fosse que posição fosse, era tudo menos confortável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Serviu, no entanto, para ver que o seu corpo estava coberto de lama, verdume e inúmeras escoriações. Serviu, ainda, para ver que ele não se encontrava na casa do velho, nem nenhures perto de algo que se assemelhasse à casa do velho, mas sim numa encruzilhada de caminhos de terra batida.&lt;br /&gt;Dos seus pés, saía um rasto, um sulco no solo, que se estendia e desaparecia misteriosamente após alguns largos metros. Quase como se o sulco fosse obra de ele, Didelet, ter sido arremessado de muito longe e ter ali obesamente desabado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Mas o que raio aconteceu aqui?,&lt;/span&gt;" indagou o Didelet para ninguém em particular. "&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Um tipo já não pode perder os sentidos por um bocadinho que dá logo nisto?&lt;/span&gt;"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que se seguiu poderia ser facilmente confundido com uma baleia a tentar arrastar-se como podia num naco de terra. O Didelet rojou-se de encontro à sombra mais próxima e, atingido esse objectivo, encostou-se como pôde ao tronco da faia que a gerava e entregou todo o seu peso à força recauchutante da gravidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo para a faia dobrar a sua metade superior para a frente, olhar desfasadamente para o Didelet e, com voz grave e reverberante, dizer "&lt;span style="font-style: italic; font-weight: bold;"&gt;Olha, desculpa lá, mas não te importavas de te ires encostar a outro lado? É que eu estou cá com umas dores no tronco que não me aguento.&lt;/span&gt;"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Didelet, o Narrador procura saber:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que vais tu fazer perante isto?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Submete a tua decisão por comentário ou, caso não  pretendas dar a conhecer a tua intenção a terceiros, submete por &lt;span style="font-style: italic;"&gt;email&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;És livre de optar por não fazer nada e, aí, estás por minha conta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para efeitos de intrigas e conspirações, o &lt;span style="font-style: italic;"&gt;email&lt;/span&gt; &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;contameumaestoria@gmail.com&lt;/span&gt; permanece sempre ao teu dispor.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2958089694474135059-6719547206872821264?l=contameumaestoria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://contameumaestoria.blogspot.com/feeds/6719547206872821264/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2958089694474135059&amp;postID=6719547206872821264' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2958089694474135059/posts/default/6719547206872821264'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2958089694474135059/posts/default/6719547206872821264'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contameumaestoria.blogspot.com/2010/08/capitulo-ivi-encruzilhadas.html' title='Capítulo IV.I.I: Encruzilhadas'/><author><name>grassa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08493210197622744344</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://2.bp.blogspot.com/_ENV-_G6l0DY/S7oLYC8pa0I/AAAAAAAAA3c/StA7r4ZFBLY/S220/baby_wild.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2958089694474135059.post-2181622421194311714</id><published>2010-08-12T08:00:00.002+01:00</published><updated>2010-08-17T14:10:54.837+01:00</updated><title type='text'>Capítulo III: Cada pergunta pressupõe a ausência da sua resposta</title><content type='html'>&lt;object data="http://flash-mp3-player.net/medias/player_mp3.swf" type="application/x-shockwave-flash" width="200" height="20"&gt;     &lt;param name="movie" value="http://flash-mp3-player.net/medias/player_mp3.swf"&gt;    &lt;param name="bgcolor" value="#ffffff"&gt;    &lt;param name="FlashVars" value="mp3=http://lamda.bluelaguna.net/ff8music/23%20-%20Timber%20Owls.mp3&amp;amp;buttonovercolor=e8e8e8&amp;amp;slidercolor1=fcfcfc&amp;amp;slidercolor2=999999&amp;amp;sliderovercolor=ebebeb"&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;font-size:180%;" &gt;E&lt;/span&gt;m alguns Universos, o desconhecido que gostaria de ser conhecido tende a manifestar-se sobre a forma de dúvidas.&lt;br /&gt;Universos há, ainda, onde esse tipo de desconhecido gosta, assim à laia da rebeldia, de se revelar sobre a forma de contestações em objecção a algo.&lt;br /&gt;Neste Universo, o Universo desta estória, esse tipo de desconhecido apresenta-se sobre a forma de questões.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Eu tenho uma questão,&lt;/span&gt;" pronunciou a &lt;span title="Mania que é boa. Mania que é inteligente."&gt;Anna&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;"&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Eu tenho duas,&lt;/span&gt;" elevou a &lt;span title="Horatio Caine. Ponderada. Sensata. Controlo sobre a mente."&gt;Cblues&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;"&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Eu tenho vinte. Aqui,&lt;/span&gt;" enfatizou o &lt;span title="Steven Seagal. Anão. Sérios problemas de flatulência."&gt;Pwfh&lt;/span&gt;, enquanto esboçava um abrir de braguilha.&lt;br /&gt;"&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Bingo!,&lt;/span&gt;" exclamou inconscientemente a &lt;span title="Viciada em estupefacientes. Completamente aleatória. Sofre de síndrome de Tourette."&gt;Mary&lt;/span&gt; lá do seu recanto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Calma, pessoal. Proponho calma. Proponho que façamos isto de um modo ordeiro,&lt;/span&gt;" sugeriu o velho. "&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Vamos começar por uma das pontas e prosseguir por aí adiante. Assim, cada um de vocês poderá, no seu próprio tempo, colocar as questões que desejar.&lt;/span&gt;"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Calma e ordem.&lt;br /&gt;Dois conceitos que, no psicadélico mundo do &lt;span title="Steven Seagal. Anão. Sérios problemas de flatulência."&gt;Pwfh&lt;/span&gt;, são tão reais e fazem tanto sentido como dois relógios a perguntarem as horas um ao outro.&lt;br /&gt;O anão encontrava-se ainda rabuja e malcheirosamente encalacrado no sofá, bem como visivelmente perturbado com todo o cenário no qual se encontrava colocado.&lt;br /&gt;Um turbilhão de gases subia-lhe ao cérebro. O que é que o Steve Seagal faria nesta situação? Porque vim eu aqui parar? Quem é esta escumalha? Será que o velho está a fazer por eu lhe rebentar o focinho? Isto ainda vai dar em bacanal?&lt;br /&gt;Apressado em sacar algumas respostas ao ancião sobre o que o esperava ao longo do caminho que teria de, aparentemente, trilhar com esta escória, e mais a cuspir as palavras do que propriamente a declará-las, o &lt;span title="Steven Seagal. Anão. Sérios problemas de flatulência."&gt;Pwfh&lt;/span&gt; lá perguntou: "&lt;span style="font-style: italic;"&gt;É preciso partir a boca a alguém?&lt;/span&gt;"&lt;br /&gt;"&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Bom, é bem provável que venham a precisar de o fazer. Aqui, comigo, vocês estão em segurança, mas aviso-vos desde já que aquilo lá fora consegue ser, por vezes, bastante inóspito. Vão precisar de um forte espírito de grupo para conseguirem sobreviver. Mais alguma coisa?&lt;/span&gt;"&lt;br /&gt;O anão soltou uma esgarçada ventosidade anal.&lt;br /&gt;Toda a gente entendeu aquilo como um "não".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Eu, eu! Agora eu!,&lt;/span&gt;" sublevava-se, de dedo no ar, a &lt;span title="Mania que é boa. Mania que é inteligente."&gt;Anna&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;"&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Calma, &lt;span title="Mania que é boa. Mania que é inteligente."&gt;Anna&lt;/span&gt;. Há-de chegar a tua vez. Agora, vamos dar a oportunidade à &lt;span title="Narcoléptica. Imune a substâncias alcalóides. Adormece por tudo e por nada."&gt;Player1331&lt;/span&gt; de manifestar as suas vacilações. Diz de tua justiça, querida.&lt;/span&gt;"&lt;br /&gt;"&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Tenho várias questões. Primeiro que tudo, a bióloga em mim gostaria de saber se, por acaso, o Bivaldi se mexe,&lt;/span&gt;" indagou a &lt;span title="Narcoléptica. Imune a substâncias alcalóides. Adormece por tudo e por nada."&gt;Player1331&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;"&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Ele tem a capacidade de se apresentar em sítios diversos, sim, mas não é tanto o Bivaldi que se movimenta pelo solo. É mais o solo que se movimenta por debaixo do Bivaldi,&lt;/span&gt;" assertou o ancião de sorriso aberto. "&lt;span style="font-style: italic;"&gt;É deveras complicado de explicar. Por palavras, pelo menos, percebes?&lt;/span&gt;"&lt;br /&gt;"&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Percebo, percebo,&lt;/span&gt;" replicou, sem perceber, a &lt;span title="Narcoléptica. Imune a substâncias alcalóides. Adormece por tudo e por nada."&gt;Player1331&lt;/span&gt;. "&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Hum... bom, que mais? Ah: o Verni não terá por aí umas capsulazinhas de cafeína ou algo do género para o caminho, que é para me ajudar a andar sem estar constantemente cambaia e a tombar para o lado? E um espelho pequeno, para ver por onde vou andando? É que esta coisa de andar de lado é muito gira, mas é muito propícia a torcicolos. Ah, e o &lt;span title="Paula Bobone. Toda nua. Imune a roupas."&gt;Tiagu&lt;/span&gt; tem mesmo de andar... assim?,&lt;/span&gt;" depôs a &lt;span title="Narcoléptica. Imune a substâncias alcalóides. Adormece por tudo e por nada."&gt;Player1331&lt;/span&gt;, enquanto desenhava no ar um círculo em volta da figura desnuda do Tiagu. "&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Não se pode vestir, como as pessoas normais? E se formos ter com o tal que grassa saber tudo, conseguiremos ir ter na mesma ao ponto de "envio"? E como vamos reconhecer O tal que grassa saber tudo? E como e quanto tempo demora a chegar a ele? E provisões? É preciso levar provisões? E o Cordon, sabe fazer panquecas? Será que ele pode arranjar umas quantas para o caminho? E, por fim: o Verni não terá por aí uma musiquinha, não? Uma sonoridadezinha ambiente? Algo levezinho e que seja do agrado de todos?&lt;/span&gt;"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Queres música? Com certeza,&lt;/span&gt;" declarou o &lt;span title="Steven Seagal. Anão. Sérios problemas de flatulência."&gt;Pwfh&lt;/span&gt;, imediatamente antes de soltar excrementalmente os primeiros segundos do primeiro movimento da Cantata 140 de Bach em prrrrrrrrack! bemol.&lt;br /&gt;Verni fixou o olhar no &lt;span title="Steven Seagal. Anão. Sérios problemas de flatulência."&gt;Pwfh&lt;/span&gt; e, aos olhos do anão, as pregas enfurecidamente engelhadas na testa do velho pareceram encher por completo a sala onde se encontravam.&lt;br /&gt;O anão optou, sem prévia consulta do livre-arbítrio, interromper a ária ali mesmo antes da entrada do coro gregoriano, o que, para quem gosta de coros gregorianos, acabaria por se revelar uma pena.&lt;br /&gt;O velho aplanou a testa e revolveu a sua atenção de volta à &lt;span title="Narcoléptica. Imune a substâncias alcalóides. Adormece por tudo e por nada."&gt;Player1331&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;"&lt;span style="font-style: italic;"&gt;És cheia de pontos de interrogação nessa cabeça, não és, minha querida? A ver vamos se pelo menos esses ficam transformados em pontos finais. Bom... sabes, adormeceres de modo recorrente é, infelizmente, algo que faz parte da tua nova natureza. Nada que eu te possa fornecer contornará esse facto. Basicamente, és imune a toda e qualquer substância alcalóide. O que tens de fazer é aprender a utilizar essa tua suposta "desvantagem" em teu proveito. E queres um espelho pequeno? Ora, com um espelho tão grande e jeitoso mesmo aqui à mão,&lt;/span&gt;" expôs o velho, enquanto desenrolava um dedo na direcção d'&lt;span title="Espelho. Voz de Darth Vader. Bagão Félix como alter-ego."&gt;O Man&lt;/span&gt;. "&lt;span style="font-style: italic;"&gt;E não, o &lt;span title="Paula Bobone. Toda nua. Imune a roupas."&gt;Tiagu&lt;/span&gt; não se pode vestir. Tal como tu e a tua imunidade para com as cafeínas e as nicotinas e outros agentes quejandos, o &lt;span title="Paula Bobone. Toda nua. Imune a roupas."&gt;Tiagu&lt;/span&gt; é imune a roupas. Toda e qualquer tentativa de o tapar sairá frustrada. Ah, e o que te garante que aquele para quem vos encaminho e o ponto de "envio" não se encontram num mesmo destino traçado? Acredito que ambos os objectos se encontram num mesmo desígnio: o vosso. E não será nada complicado reconhecer aquele para quem eu vos dirijo. Vocês saberão que ele é quem ele é assim que o contemplarem. Já o como e o tempo que leva a chegar a ele, isso, dependerá de vocês e dos obstáculos que encontrarem na vossa jornada. Não te consigo estimar severamente um período, minha querida. O tempo, ao contrário do espaço, não é algo de facilmente conjecturável. Posso - e vou - é gizar-vos uma rota. Quando estivermos lá fora. E não te preocupes com vitualhas: o Cordon já tomou a liberdade de vos acondicionar com porções mais do que suficientes para se aguentarem à larga durante uma estação inteira. E Cordon. Cordon!,&lt;/span&gt;" bradou o ancião na direcção do corredor. "&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Ouviste a menina. Prepara-lhes uma panquecas.&lt;/span&gt;"&lt;br /&gt;Dos confins da passagem, das entranhas da cozinha, veio uma ruminância em sinal de aprovação ao pedido do ancião.&lt;br /&gt;"&lt;span style="font-style: italic;"&gt;E queres música, querida? Bom, realmente eu poderia fornecê-la, mas não pretendo ofender os vossos trovadores de serviço,&lt;/span&gt;" apontou o velho de olhos agora postos na &lt;span title="Mulher-gato. Cantora. Adora natas."&gt;Anatcat&lt;/span&gt; e no &lt;span title="Demis Roussos. Eládio Clímaco como ego. Vendedor ambulante."&gt;R2-D2&lt;/span&gt;. "&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Recomendo é que seja o &lt;span title="Demis Roussos. Eládio Clímaco como ego. Vendedor ambulante."&gt;R2-D2&lt;/span&gt; a fornecer a melodia ambiente. O cantar da &lt;span title="Mulher-gato. Cantora. Adora natas."&gt;Anatcat&lt;/span&gt; tem... particularidades que convém que sejam exploradas em local mais espaçoso.&lt;/span&gt;"&lt;br /&gt;"&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Eu só sei o "Zorba, o Grego",&lt;/span&gt;" retrucou o &lt;span title="Demis Roussos. Eládio Clímaco como ego. Vendedor ambulante."&gt;R2-D2&lt;/span&gt; imediatamente antes de dar o clique para Eládio Clímaco e de começar a perguntar ao &lt;span title="Paula Bobone. Toda nua. Imune a roupas."&gt;Tiagu&lt;/span&gt; o que este tinha achado da prestação da equipa dos Açores na prova da roda do Nabão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ignorando por completo o conceito de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;timing&lt;/span&gt; e, por arrasto, deixando o conceito de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;timing&lt;/span&gt; ligeiramente mais deprimido por ninguém lhe ligar nenhuma, a &lt;span title="Mania que é boa. Mania que é inteligente."&gt;Anna&lt;/span&gt; interpôs: "&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Porventura o senhor velho não terá por aí vestuário que faça jus à minha pessoa, não? É que pode haver quem ache de mau tom eu andar por aqui a escorrer charme só com esta toalha no corpinho.&lt;/span&gt;"&lt;br /&gt;Todos olharam para o que escorria de &lt;span title="Mania que é boa. Mania que é inteligente."&gt;Anna&lt;/span&gt; e formava já diversas poças no soalho da sala.&lt;br /&gt;Não era charme.&lt;br /&gt;"&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;span title="Mania que é boa. Mania que é inteligente."&gt;Anna&lt;/span&gt;,&lt;/span&gt;" chamou a &lt;span title="Horatio Caine. Ponderada. Sensata. Controlo sobre a mente."&gt;Cblues&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;span title="Mania que é boa. Mania que é inteligente."&gt;Anna&lt;/span&gt; respondeu com um olhar fugidio.&lt;br /&gt;"&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Shiu,&lt;/span&gt;" ponto finalizou a &lt;span title="Horatio Caine. Ponderada. Sensata. Controlo sobre a mente."&gt;Cblues&lt;/span&gt; com um indicador sobre o nariz.&lt;br /&gt;&lt;span title="Mania que é boa. Mania que é inteligente."&gt;Anna&lt;/span&gt; arregalou ligeiramente os olhos e deixou-se afundar um pouco mais no conchego do seu &lt;span style="font-style: italic;"&gt;maple&lt;/span&gt;, tudo isto enquanto experimentava uma nova sensação: a de estar calada.&lt;br /&gt;"&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Obrigado, &lt;span title="Horatio Caine. Ponderada. Sensata. Controlo sobre a mente."&gt;Cblues&lt;/span&gt;. Mais uma interrupção e acho que eu próprio teria tomado essa atitude. Bom, segue-se o &lt;span title="Vampiro. Vegetariano. Exasperante em conversas. Possui ameba que espirra coisas aleatórias como melhor companheira."&gt;Pato&lt;/span&gt;. O que partilhas tu, meu caro?&lt;/span&gt;"&lt;br /&gt;"&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Hein?,&lt;/span&gt;" soltou inconscientemente um &lt;span title="Vampiro. Vegetariano. Exasperante em conversas. Possui ameba que espirra coisas aleatórias como melhor companheira."&gt;Pato&lt;/span&gt; que se encontrava a navegar na espessa camada de egolatria na sua cabeça.&lt;br /&gt;"&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Presumo que tenhas questões que queiras ver respondidas,&lt;/span&gt;" repetiu, por outras palavras, o ancião.&lt;br /&gt;"&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Questões? Nem por isso. Embora sim, algumas. Mas antes disso, não tem aí nada para o meu amiguinho aqui comer?,&lt;/span&gt;" indagou o &lt;span title="Vampiro. Vegetariano. Exasperante em conversas. Possui ameba que espirra coisas aleatórias como melhor companheira."&gt;Pato&lt;/span&gt; enquanto extraía, do bolso interno do jaquetão, algo em tudo semelhante a uma ameba.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quase que instintivamente, e num uníssono claramente a precisar de fisiopatia, todo o grupo esboçou um movimento de aperto de cerco em volta da mão do &lt;span title="Vampiro. Vegetariano. Exasperante em conversas. Possui ameba que espirra coisas aleatórias como melhor companheira."&gt;Pato&lt;/span&gt; e da singular criatura.&lt;br /&gt;"&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Oh. É fofinho. De um ponto de vista pegajoso,&lt;/span&gt;" acrescentou o &lt;span title="Indivíduo perfeitamente normal. Excepto quando se transforma num frango depenado sem cabeça. Coisa que não aconteceu nem deve vir a acontecer."&gt;Nojento&lt;/span&gt;. "&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Posso fazer-lhe uma fes-&lt;/span&gt;".&lt;br /&gt;Sem aviso, e fruto da constipação menos ecológica de que há memória, a ameba espirrou e cuspiu um armário de cozinha que, com uma pesada queda, só não esmagou um pé ao &lt;span title="Indivíduo perfeitamente normal. Excepto quando se transforma num frango depenado sem cabeça. Coisa que não aconteceu nem deve vir a acontecer."&gt;Nojento&lt;/span&gt; porque quis o Destino que o espaço não tivesse tempo de permitir que ambas as coisas se pudessem conjugar num mesmo ponto.&lt;br /&gt;O &lt;span title="Indivíduo perfeitamente normal. Excepto quando se transforma num frango depenado sem cabeça. Coisa que não aconteceu nem deve vir a acontecer."&gt;Nojento&lt;/span&gt; lançou para os poucos centímetros que separavam os seus membros inferiores do armário aquele distinto e horrorizado olhar de quem está a imaginar o que teria acontecido tivesse ele os pés ligeiramente maiores.&lt;br /&gt;"&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Sabes, eu até pedia ao Cordon para trazer uns poucos petiscos, mas acho que aí o teu amigo acabou de regurgitar a sua própria refeição.&lt;/span&gt;"&lt;br /&gt;Com um quase inaudível "Hum", o &lt;span title="Vampiro. Vegetariano. Exasperante em conversas. Possui ameba que espirra coisas aleatórias como melhor companheira."&gt;Pato&lt;/span&gt; abriu uma das portinholas da recém-improvisada despensa, tudo e apenas para soltar um segundo quase inaudível "Hum". Com um gesto merecedor do Prémio Nobel da falta de agilidade, o &lt;span title="Vampiro. Vegetariano. Exasperante em conversas. Possui ameba que espirra coisas aleatórias como melhor companheira."&gt;Pato&lt;/span&gt; devolveu o pequeno ser amebóide ao seu bolso de estimação, retirou do receptáculo uma lata de atum, abriu-a e colocou-a, com toda a mestria e habilidade, dentro do bolso e a escorrer óleo vegetal pela camisa e pelas pernas das calças afora.&lt;br /&gt;"&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Ele adora atum.&lt;/span&gt;" Uma pequena, fria e ligeiramente desconfortável pausa. "&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Não me perguntem como é que eu sei isso.&lt;/span&gt;"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"&lt;span style="font-style: italic;"&gt;E relativamente a dúvidas?,&lt;/span&gt;" insistiu Verni.&lt;br /&gt;"&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Dúvidas?&lt;/span&gt;"&lt;br /&gt;"&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Sim. As tuas dúvidas.&lt;/span&gt;"&lt;br /&gt;"&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Eu tenho dúvidas?&lt;/span&gt;"&lt;br /&gt;"&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Deste a entender que sim, sim.&lt;/span&gt;"&lt;br /&gt;"&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Dei? Hum. Tenho dúvidas relativamente a isso.&lt;/span&gt;"&lt;br /&gt;"&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Eu sei que sim, mas não são essas as dúvidas que agora interessam. São as outras dúvidas.&lt;/span&gt;"&lt;br /&gt;"&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Quais dúvidas?&lt;/span&gt;"&lt;br /&gt;"&lt;span style="font-style: italic;"&gt;As outras. Aquelas que tu...&lt;/span&gt;" Verni calou-se, suspirou de cansaço e estalou os dedos. "&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Essas&lt;/span&gt; dúvidas.&lt;/span&gt;"&lt;br /&gt;"&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Aaah, &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;estas&lt;/span&gt; dúvidas! Caramba, que já podia ter dito há mais tempo! Bom, então o que eu gostaria de saber é se o Verni tem alguma veneta por música clássica e se Omell e Uasou já compuseram alguma obra. Ah, e já agora: tem a certeza que eu desejava ser "isto"?,&lt;/span&gt;" perguntou o &lt;span title="Vampiro. Vegetariano. Exasperante em conversas. Possui ameba que espirra coisas aleatórias como melhor companheira."&gt;Pato&lt;/span&gt;, acompanhando o seu remoque com ingredientes de dúvida suficientes para fazer uma sopa de escárnio e incredulidade.&lt;br /&gt;Para surpresa de ninguém, o ancião ensejou o seu já habitual sorriso antes de iniciar a sua resposta. "&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Presumo que te inquiras dos meus gostos musicais pela similaridade do meu nome para com o vosso Verdi. De facto, aprecio imenso música clássica, ou aquilo que vocês apelidam de música clássica, mas o meu nome em nada se encontra relacionado com essa trivialidade. Nem o meu nome nem os nomes de Omell e Uasou. Os nossos nomes já estavam escolhidos muito antes da nossa existência. Nós apenas lhes fornecemos um corpo e um sentido. E existe a certeza absoluta de que tu desejavas ser "isso". Não sou eu que o digo: é todo o teu ser. E não sou que o dito: são as leis pelas quais este domínio sempre se regeu.&lt;/span&gt;"&lt;br /&gt;O &lt;span title="Vampiro. Vegetariano. Exasperante em conversas. Possui ameba que espirra coisas aleatórias como melhor companheira."&gt;Pato&lt;/span&gt; ficou a olhar para o velho como se este tivesse acabado de comer alarvemente um bitoque e metade do bife estivesse desajeitadamente pendurado da sua barba.&lt;br /&gt;"&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Hã?,&lt;/span&gt;" soltou o vampiro por fim.&lt;br /&gt;"&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Não percebeste, mas também não te preocupes: daqui a uns segundos vais ser chamado de volta pelo teu egocentrismo e nem te vais lembrar que estivemos a falar. E &lt;span title="Mania que é boa. Mania que é inteligente."&gt;Anna&lt;/span&gt;, o que é que julgas que estás a fazer?&lt;/span&gt;"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olhos recaíram na curvilínea rapariga, que sorrateiramente se encontrava a tentar espreitar para o interior do bolso do &lt;span title="Vampiro. Vegetariano. Exasperante em conversas. Possui ameba que espirra coisas aleatórias como melhor companheira."&gt;Pato&lt;/span&gt; onde se encontrava a ameba.&lt;br /&gt;"&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Eu, hum... estava curiosa.&lt;/span&gt;"&lt;br /&gt;"&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Tu não consegues mesmo estar sossegada, pois não?&lt;/span&gt;"&lt;br /&gt;"&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Eu-&lt;/span&gt;"&lt;br /&gt;"&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Não respondas. Não precisas de responder. Em vez disso, faz-nos um favor e segue ali o Cordon.&lt;/span&gt;"&lt;br /&gt;Especado sem sobreaviso à entrada do salão, estava o paquidérmico mordomo. Tanto o avental envergado pelo seu avantajado perímetro, como a panquequeira na sua pata direita, como o seu ar de eterno desagrado indicavam que alguém lhe tinha estragado o seu momento de frete culinário.&lt;br /&gt;"&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Ele tratará de te encaminhar para o quarto dos fundos. Lá, terás, nos armários e gavetas, toda uma parafernália de roupagens à tua medida. Escolhe donairosamente o que te aprouv... &lt;span title="Mania que é boa. Mania que é inteligente."&gt;Anna&lt;/span&gt;? Onde é que ela se meteu?&lt;/span&gt;"&lt;br /&gt;"&lt;span style="font-style: italic;"&gt;A modos que assim que você pronunciou a última sílaba da palavra "roupagens", já ela tinha saído disparada da sala,&lt;/span&gt;" atentou a &lt;span title="Horatio Caine. Ponderada. Sensata. Controlo sobre a mente."&gt;Cblues&lt;/span&gt;, antes de, e com um movimento de pescoço capaz de partir vértebras só de se olhar, alinhar o seu campo de visão com o do ancião.&lt;br /&gt;"&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Hum. Melhor assim, então.&lt;/span&gt;"&lt;br /&gt;"&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Melhor assim.&lt;/span&gt;"&lt;br /&gt;"&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Questões?&lt;/span&gt;"&lt;br /&gt;"&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Duas.&lt;/span&gt;"&lt;br /&gt;"&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Dispara.&lt;/span&gt;"&lt;br /&gt;"&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Indo directa ao que interessa.&lt;/span&gt;" Pausa para colocar os óculos de sol. "&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Que plano é este?&lt;/span&gt;" Pausa para tirar os óculos de sol. "&lt;span style="font-style: italic;"&gt;E onde é que fica esse tal ponto de "envio" que referiu?&lt;/span&gt;"&lt;br /&gt;"&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Hum. Pertinentes, essas tuas questões. A primeira é de consequência inconclusiva, no entanto. Descrever-te este plano pode revelar-se tarefa difícil... e morosa. Para além de que muitas das respostas que te pudesse fornecer pertenceriam aos domínios da astronomia aplicada e da metafísica. E isto as respostas de carácter mais simplista. As restantes nem tu nem nenhum de vocês está ainda preparado para as conseguir ouvir, quanto mais perceber. O vosso raciocínio e análise cognitiva continuam a ter uma base muito humana, por isso ponho-vos isto em termos que vocês consigam apreender: este universo &lt;/span&gt;&lt;span style="font-weight: bold; font-style: italic;"&gt;não é&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt; o vosso universo. As vossas regras, as vossas leis, os vossos dogmas, as vossas experiências mundanas, os vossos quotidianos: esqueçam-nos. Vocês são novos seres, com novas formas de existir, num mundo que vos é tão desconhecido e tão singular que quase que pode ser-vos vendido como sendo hostil. Vocês vão precisar de uma mente muito aberta e de sólidos espíritos de sacrifício e de equipa para conseguirem sobreviver aqui. Dá-te ao tempo e ao trabalho de sobreviver neste plano, minha querida, e ficarás a saber exactamente que plano ele é. Relativamente ao ponto de "envio", se é informação geográfica que procuras, posso informar-te, e informar-vos, que neste instante estão a pouco mais de duzentas milhas dele. Quando há pouco referi ali à tua amiga narcoléptica que aquele para quem vos encaminho e o ponto de "envio" se encontram numa mesma rota, essa afirmação não era somente de interpretação lírica: era também de natureza literal. Aquele para quem vos encaminho &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;está&lt;/span&gt; no ponto de "envio". Era para lá que eu vos ia encaminhar de qualquer forma. Não vos quis estragar a surpresa, nem é essa a minha função. Aliás, muito pelo contrário: o meu exercício passa também por preservar ao máximo o vosso direito à escolha, sempre com orientação para factos, respostas e paralelismos lógicos, e abstendo-me de induções e julgamentos pessoais. De acordo com esses pressupostos, ministro-vos ainda a seguinte e pertinente nova: vocês não são obrigados a aceitar a vossa existência aqui. Podem desistir, se assim o desejarem. A desistirem, desistam agora, pois agora é a altura certa para o fazerem. Tenham, contudo, em conta que a vossa desistência acarreta consequências, e a vossa aceitação acarreta responsabilidades. Vocês podem ser responsáveis pelo vosso próprio destino, mas no destino do Universo, nesse, ninguém manda. Aqueles de vocês que desistirem agora podem ficar aqui comigo. Ofereço-vos a minha guarida até vos arranjar uma solução mais definitiva.&lt;/span&gt;"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar de ninguém se ter chegado à frente depois daquelas últimas palavras, os presentes ficaram a sentir o novo aroma no ar.&lt;br /&gt;Cheirava a liberdade de escolha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Liberdade de escolha.&lt;br /&gt;Algo que a &lt;span title="Viciada em estupefacientes. Completamente aleatória. Sofre de síndrome de Tourette."&gt;Mary&lt;/span&gt; só não fuma porque não há mortalhas que a enrolem.&lt;br /&gt;A mesma &lt;span title="Viciada em estupefacientes. Completamente aleatória. Sofre de síndrome de Tourette."&gt;Mary&lt;/span&gt; que não se encontrava na sala.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"&lt;span style="font-style: italic;"&gt;A &lt;span title="Viciada em estupefacientes. Completamente aleatória. Sofre de síndrome de Tourette."&gt;Mary&lt;/span&gt;?,&lt;/span&gt;" alguém perguntou.&lt;br /&gt;"&lt;span style="font-style: italic;"&gt;A &lt;span title="Viciada em estupefacientes. Completamente aleatória. Sofre de síndrome de Tourette."&gt;Mary&lt;/span&gt; é a aleatoriedade em pessoa. E possui uma capacidade de se esfumar no ar capaz de fazer inveja a um ninja. Ela encontra-se, neste momento, a já largas centenas de metros de distância daqui. Acho que ela estava aborrecida e decidiu ir dar uma volta. Mas deixou as suas questões,&lt;/span&gt;" observou o ancião, enquanto colava o olhar na mesa que, actualmente, servia de centro de sala.&lt;br /&gt;Na berma desta, jazia um papel geometricamente dobrado em quatro. Verni puxou para si o papel e desdobrou-o. Depois sorriu. Depois devolveu o papel à sua disposição original e arrimou-o por dentro das suas vestes. Finalmente, disse "&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Esta &lt;span title="Viciada em estupefacientes. Completamente aleatória. Sofre de síndrome de Tourette."&gt;Mary&lt;/span&gt;... bom, quem é o senhor que se segue?&lt;/span&gt;" &lt;a href="javascript:showHide('blablabla')"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;font-size:130%;" &gt;*&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div id="blablabla" style="display: none; border: thin solid;"&gt;Todos os eventos despoletam, obrigatoriamente, outros eventos. Isso não  significa, todavia, que essa cadeia sequencial de eventos seja  facilmente identificável.&lt;br /&gt;Para os interessados, aqui fica a sucessão  pormenorizada de todos os eventos entre o desdobrar do papel por parte  de Verni e o voltar a dobrar do mesmo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;1)&lt;/span&gt; Verni lê, para si, as inscrições no papel. Deste, arrola o seguinte:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;   Perguntas da Mary:&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-weight: bold; font-style: italic;"&gt;1.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt; Como é que é possível uma abelha voar?&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-weight: bold; font-style: italic;"&gt;2.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt; Porque é que os Delfins e os Pólo Norte ainda continuam vivos e a cantar?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;2)&lt;/span&gt;  A trezentos e cinquenta e três metros de distância, Mary tenta guardar  no bolso o sapo que acabou de apanhar no charco a seus pés&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;3)&lt;/span&gt; A trezentos e cinquenta e três metros de distância de Mary, Verni sorri&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;4)&lt;/span&gt; A trezentos e cinquenta e três metros de distância de Verni, Mary consegue meter o sapo no bolso&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;5)&lt;/span&gt; Mary percebe que o sapo não é a única coisa que tem agora no bolso&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;6)&lt;/span&gt; Mary saca de um papel que julgava não ter no bolso&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;7)&lt;/span&gt; Mary desdobra o papel&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;8)&lt;/span&gt; Mary lê, para si, as inscrições no papel. Deste, arrola o seguinte:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;   Respostas do Verni:&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-weight: bold; font-style: italic;"&gt;1.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;  As abelhas voam pela mesma razão que tu não voas: porque tanto elas  como tu possuem algo que determina essa vossa característica. No caso  delas, é a existência de asas. No teu caso, é a ausência de qualquer  apêndice membranoso dessa natureza.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-weight: bold; font-style: italic;"&gt;2.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;  Delfins? Pólo Norte? Calculo que isso seja uma espécie de bardos lá da  tua antiga terra. Sinceramente, não sei, Mary. Há coisas para as quais  até eu não consigo encontrar um fundamento lógico. Deve ter algo a ver  com o equilíbrio universal e de precisares sempre de uma componente de  incoerência para contrabalançar a ordem natural das coisas.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;9)&lt;/span&gt; A trezentos e cinquenta e três metros de distância de Mary, Verni volta a dobrar o papel&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;O senhor que se seguiu foi o &lt;span title="Indivíduo perfeitamente normal. Excepto quando se transforma num frango depenado sem cabeça. Coisa que não aconteceu nem deve vir a acontecer."&gt;Nojento&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;O &lt;span title="Indivíduo perfeitamente normal. Excepto quando se transforma num frango depenado sem cabeça. Coisa que não aconteceu nem deve vir a acontecer."&gt;Nojento&lt;/span&gt; que, à semelhança de alguém que comete o erro de tentar engatar aves de grande porte recorrendo apenas a lábia e poses de natureza manco-sensuais, só tinha emitido meia dúzia de palavras e já tinha sido bicado, manietado, atirado por uma janela adentro e quase esmagado nas extremidades por mobiliário em queda.&lt;br /&gt;"&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Eu? Perguntas? Perguntas não tenho. Tenho três respostas, no entanto: não, não e não. Quer-se dizer, eu chego aqui e pergunto ali àquele Boeing com penas que tem lá fora se viu por aí umas belas coxas, e o que é que ele faz? Pimbas: dá-me uma bicada tão grande na testa que eu juro que o meu cérebro ainda está à procura do seu ponto de equilíbrio. E a seguir, quando dou por mim, estou a voar estardalhadamente ali por aquela janela adentro. Eu, que não sei voar, estou a voar, por ali adentro. E depois bati com os cornos ali, ainda tenho serradura e vidro entre os dentes e aquele ali quase que me esmagou um pé!,&lt;/span&gt;" queixou-se o Nojento com um dedo acusador na direcção do Pato. "&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Não. Recuso-me a fazer parte desta charada. Quero regressar. Isso e daqui não saio.&lt;/span&gt;"&lt;br /&gt;Terminada a dissertação, o &lt;span title="Indivíduo perfeitamente normal. Excepto quando se transforma num frango depenado sem cabeça. Coisa que não aconteceu nem deve vir a acontecer."&gt;Nojento&lt;/span&gt; cruzou os braços e entregou-se à birra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seguiu-se a &lt;span title="Mulher-gato. Cantora. Adora natas."&gt;Anatcat&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;A doce, meiga, terna e desmembradora de pequenos roedores &lt;span title="Mulher-gato. Cantora. Adora natas."&gt;Anatcat&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;"&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Eu gostaria de saber quem vai ficar encarregue do miau pires de natas. Ah, e quando é que vai ser o miau próximo concerto,&lt;/span&gt;" perguntou a felídea rapariga, enquanto lambia uma das pernas numa posição considerada impossível até por alguns praticantes de ioga.&lt;br /&gt;"&lt;span style="font-style: italic;"&gt;O teu pires de natas? Sem querer parecer tendencioso, eu diria que a &lt;span title="Narcoléptica. Imune a substâncias alcalóides. Adormece por tudo e por nada."&gt;Player1331&lt;/span&gt; é a pessoa mais indicada para esse efeito, não só pelo amor que sei que ela tem pelos outros animais, mas também por... bom, pelo amor que eu sei que ela tem pelos outros animais. É que ela tem tanto disso que ter só um amor pelos outros animais não era o suficiente,&lt;/span&gt;" detalhou o velho. "&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Quanto ao teu próximo concerto, ele será quando assim o desejares. Eu só espero é que o desejes lá fora e daqui a algum tempo.&lt;/span&gt;"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seguiu-se o &lt;span title="Demis Roussos. Eládio Clímaco como ego. Vendedor ambulante."&gt;R2-D2&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;O &lt;span title="Demis Roussos. Eládio Clímaco como ego. Vendedor ambulante."&gt;R2-D2&lt;/span&gt;, que a única coisa que conseguiu articular foi um "&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Uau. Essa posição... e as tuas botas... e essa elasticidade... e a forma como lambes a... essa língua... as possibilidades... é que um gajo... uau,&lt;/span&gt;" tal era a magnitude da atracção que &lt;span title="Mulher-gato. Cantora. Adora natas."&gt;Anatcat&lt;/span&gt; exercia de forma erótica sobre ele.&lt;br /&gt;Não era só questões que a primorosa cópia de Demis Roussos não tinha: coerência no discurso e fluxo sanguíneo acima dos ombros também não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seguiram-se os cento e cinquenta quilos de massa adiposa, barba e culteranismo chamados &lt;span title="Anafado. Ponderado. Sensato. Passa-se quando lhe dirigem a palavra com algo de natureza homónima."&gt;Didelet&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;Os cento e cinquenta quilos de massa adiposa, barba e culteranismo quiseram deixar bem explícito que acreditavam veementemente que tudo aquilo não passava de um sonho deles, e que todos os restantes mais não eram do que manifestações de um subconsciente reprimido.&lt;br /&gt;O resto do grupo olhou para ele com ar de tudo menos de manifestação de um subconsciente reprimido.&lt;br /&gt;"&lt;span style="font-style: italic;"&gt;É que, se atentarmos bem, vocês são todos... assim, bizarros, enquanto que eu sou o único aparente e perfeitamente normal. Mais uma prova de que isto só pode ser um sonho meu. Mas eu vou alinhar na brincadeira. Contem comigo.&lt;/span&gt;"&lt;br /&gt;Dito isto, o &lt;span title="Anafado. Ponderado. Sensato. Passa-se quando lhe dirigem a palavra com algo de natureza homónima."&gt;Didelet&lt;/span&gt; recostou-se no assento e piscou o olho ao Verni naquela do "Vá, invenção da minha semiconsciência, podes continuar com "isto"".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seguiu-se o &lt;span title="Espelho. Voz de Darth Vader. Bagão Félix como alter-ego."&gt;O Man&lt;/span&gt;, mas o &lt;span title="Espelho. Voz de Darth Vader. Bagão Félix como alter-ego."&gt;O Man&lt;/span&gt; nada disse.&lt;br /&gt;Manteve-se, simplesmente, a reflectir. Não sobre o que perguntar, mas sim a parede e a restante matéria que se encontrava à sua frente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seguiu-se, por isso, o &lt;span title="Paula Bobone. Toda nua. Imune a roupas."&gt;Tiagu&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;O &lt;span title="Paula Bobone. Toda nua. Imune a roupas."&gt;Tiagu&lt;/span&gt;. A prova viva de que a verdade não é a única coisa que existe de forma nua e crua.&lt;br /&gt;"&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Eu cá, isto, não sei, quer-se dizer, a ver vamos se, pronto, dentro do possível, se é, de facto, possível. Eu cá gostaria de, pronto, não sei se está a ver, eu cá, na verdade, o que eu gostaria mesmo era de saber se, pronto, lá está, se dava, ou não dava, que se desse é que era mesmo super-chique, para eu dar aulas ou leccionar assim qualquer coisa, está a ver, lá no ministério das magias ou o que é que é. Isto, claro, se der, que não estou a dizer que caso não dê eu arranjo forma de o lixar. Não é como se eu soubesse de coisas sobre coisas que, pronto, lá está, davam-lhe cabo das coisas a si, que eu não gostava nada de chegar a esse ponto,&lt;/span&gt;" discorreu o &lt;span title="Paula Bobone. Toda nua. Imune a roupas."&gt;Tiagu&lt;/span&gt; em algo que poderia ter perfeitamente sido dito em menos quinhentas palavras.&lt;br /&gt;"&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Ministério das magias? Oh, meu caro, isto não é Hogwarts, nem nenhuma outra criação pubescente e desenxabida dessa natureza,&lt;/span&gt;" firmou o ancião. "&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Neste mundo, a magia e a autodidaxia andam muito de mãos dadas. Lamento que não possa atender a essa tua aspiração. Espero que não fiques melindrado.&lt;/span&gt;"&lt;br /&gt;"&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Melindrado? Quem, eu? Não, claro que não. Não. Eu? Não. Como? Porquê? Porque ficaria eu melindrado? Não é como se houvesse má vontade da sua parte, que não há, porque se houvesse eu ficaria melindrado, só que eu não estou. Melindrado, quer dizer. Que se estivesse, era caso para lhe mandar agora uma chapada de mamas descaídas tão grande que até lhe virava o boneco, mas não vou mandar, porque para isso precisaria de estar melindrado, que não estou. Melindrado. Eu. Não.&lt;/span&gt;"&lt;br /&gt;Acabado o discurso, o &lt;span title="Paula Bobone. Toda nua. Imune a roupas."&gt;Tiagu&lt;/span&gt; virou-se no lugar até ficar de forma a que ninguém reparasse que ele estava a chorar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por fim, o &lt;span title="Zombie. Afegão. Pseudo-intelectual."&gt;Pete&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;A maior parte das pessoas gosta de acreditar em prédicas e augúrios e indagar-se esotericamente sobre o futuro.&lt;br /&gt;O &lt;span title="Zombie. Afegão. Pseudo-intelectual."&gt;Pete&lt;/span&gt; pura e simplesmente não é uma dessas pessoas.&lt;br /&gt;"&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Questões? Só uma: esta não é a obra completa do "À la Recherche du Temps Perdu", pois não? É que o trabalho original consistia, se não me falha a memória, de sete volumes, cada um deles definido temporal e contextualmente por distintos moralismos e intrigas socioculturais. Posso concluir que este tomo arrosta apenas o primeiro volume, vulgo "Du Côté de Chez Swann"?&lt;/span&gt;"&lt;br /&gt;"&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Essa edição que alardeias é deveras especial, meu caro. Atrevo-me mesmo a dizer "única". De facto, o volume que lês neste preciso instante é o primeiro, uma história de amor narrada sobre uma terceira pessoa mas com reflexos sobre o próprio narrador, e assim que acabares esse volume, da próxima vez que abrires o livro, terás o segundo volume. No fundo, isso é um compêndio de todos os volumes que Proust redigiu e, até e inclusive, todos aqueles volumes que Proust não escreveu e não publicou devido à sua doença e premeditada morte.&lt;/span&gt;"&lt;br /&gt;"&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Ah. Uma edição deveras virtuosa, devo aquiescer,&lt;/span&gt;" condisse o &lt;span title="Zombie. Afegão. Pseudo-intelectual."&gt;Pete&lt;/span&gt; na direcção de Verni, acrescentando depois, e já na direcção dos seus colegas de canapé, que "&lt;span style="font-style: italic;"&gt;diria até que esta encadernação tem mais valor literário do que, quiçá, todos os cantos que Camões ladrilhou n'"Os Lusíadas".&lt;/span&gt;"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta última expressão chamou não só a atenção do &lt;span title="Anafado. Ponderado. Sensato. Passa-se quando lhe dirigem a palavra com algo de natureza homónima."&gt;Didelet&lt;/span&gt;, como também todos os amigos ciganos e armados com tacos da atenção do &lt;span title="Anafado. Ponderado. Sensato. Passa-se quando lhe dirigem a palavra com algo de natureza homónima."&gt;Didelet&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Desculpa, disseste "cantos"?,&lt;/span&gt;" interpelou o &lt;span title="Anafado. Ponderado. Sensato. Passa-se quando lhe dirigem a palavra com algo de natureza homónima."&gt;Didelet&lt;/span&gt;, enrolando os dedos da mão direita numa imitação muito fidedigna de um punho.&lt;br /&gt;"&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Sim, "cantos",&lt;/span&gt;" corroborou o &lt;span title="Zombie. Afegão. Pseudo-intelectual."&gt;Pete&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;"&lt;span style="font-style: italic;"&gt;"Cantos" como em "os cantos desta sala"?&lt;/span&gt;" Ouviu-se o crepitar estaladiço dos nós dos dedos do &lt;span title="Anafado. Ponderado. Sensato. Passa-se quando lhe dirigem a palavra com algo de natureza homónima."&gt;Didelet&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;"&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Não. "Cantos" como em "trechos líricos" ou em "aglomerados de estrofes".&lt;/span&gt;"&lt;br /&gt;"&lt;span style="font-style: italic;"&gt;"Cantos" como em "trechos líricos" ou em "aglomerados de estrofes"? Esse tipo de "cantos"?&lt;/span&gt;" O &lt;span title="Anafado. Ponderado. Sensato. Passa-se quando lhe dirigem a palavra com algo de natureza homónima."&gt;Didelet&lt;/span&gt; começou a rodopiar o braço direito de forma a aquecer as juntas.&lt;br /&gt;"&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Esse tipo de "cantos",&lt;/span&gt;" complementou o &lt;span style="font-style: italic;"&gt;zombie&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;"&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Ah. OK. Era só para confirmar,&lt;/span&gt;" disse o &lt;span title="Anafado. Ponderado. Sensato. Passa-se quando lhe dirigem a palavra com algo de natureza homónima."&gt;Didelet&lt;/span&gt;, imediatamente antes do *CRACK!* do estalar doentio do pescoço do &lt;span title="Zombie. Afegão. Pseudo-intelectual."&gt;Pete&lt;/span&gt;, fruto e obra do esquizofrénico malhanço que o resto do grupo viria a reconhecer como "o primeiro dos muitos socos que se seguiram".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lá fora.&lt;br /&gt;Jardim por detrás do Bivaldi.&lt;br /&gt;Tudo relativamente calmo e silencioso, tirando o teimoso chilrear de um pequeno pássaro que insistia em dizer "&lt;span style="font-style: italic;"&gt;chip, chip&lt;/span&gt;" sem perceber absolutamente nada de informática e &lt;span style="font-style: italic;"&gt;hardware&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;Bivaldi bocejou, daquela forma como só os octópodes sabem bocejar.&lt;br /&gt;Depois, coçou com nobre aborrecimento uma das suas paredes laterais com um dos tentáculos.&lt;br /&gt;Só depois disso tudo é que veio o gigantesco e sobrenatural urro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A sua parede traseira explodiu em mil e uma lascas por todo o jardim posterior.&lt;br /&gt;Pelo meio da serradura, era perceptível um vulto: o vulto cadavérico do &lt;span title="Zombie. Afegão. Pseudo-intelectual."&gt;Pete&lt;/span&gt; que, qual paródia com a decadência do seu estado exânime, aparentava estar mais morto que morto-vivo.&lt;br /&gt;Dos escombros que até há bem pouco tempo eram o espinhaço edificado da criatura que o albergava, emergiu o &lt;span title="Anafado. Ponderado. Sensato. Passa-se quando lhe dirigem a palavra com algo de natureza homónima."&gt;Didelet&lt;/span&gt; a soprar a mão, da mesma forma como quem sopra o fumo do cano de um revólver.&lt;br /&gt;Bivaldi ou, no limiar, a amálgama de tentáculos que subsistia sobre o lote mais rígido e alicerçado do casebre, revolveu sobre si mesmo. Não era preciso ser-se grande guru para verificar que o bicho estava furioso.&lt;br /&gt;O &lt;span title="Anafado. Ponderado. Sensato. Passa-se quando lhe dirigem a palavra com algo de natureza homónima."&gt;Didelet&lt;/span&gt; esboçou um olhar para cima, mas a única coisa que conseguiu ver de forma clara foi a parte do tentáculo que não estava enrolada à volta da sua cintura.&lt;br /&gt;Bivaldi apertou e içou o &lt;span title="Anafado. Ponderado. Sensato. Passa-se quando lhe dirigem a palavra com algo de natureza homónima."&gt;Didelet&lt;/span&gt; no preciso instante em que a restante maralha começava, impelida pela curiosidade, a brotar do rombo no tabique.&lt;br /&gt;O &lt;span title="Anafado. Ponderado. Sensato. Passa-se quando lhe dirigem a palavra com algo de natureza homónima."&gt;Didelet&lt;/span&gt; ainda pensou em bradar alto e bom som um "&lt;span style="font-style: italic;"&gt;É bom que me pouses já se sabes o que é bom para a tosse&lt;/span&gt;", mas ser violentamente arremessado pelos ares tende a dificultar a coerência de brados de natureza alta e bem sonora.&lt;br /&gt;Ao invés disso, o &lt;span title="Anafado. Ponderado. Sensato. Passa-se quando lhe dirigem a palavra com algo de natureza homónima."&gt;Didelet&lt;/span&gt; declamou um "&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;AAAAAAAAAAAAAAAAAAAA&lt;/span&gt;aaaaaaaaaaaaaaaaaaaa&lt;span style="font-size:85%;"&gt;hhhhhhhhhh&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;" que se prolongou durante as largas centenas de metros que voou floresta adentro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dentro da moradia, Verni suspirou e sacudiu o pó da véstia. Olhou em volta para o cascalho e para tudo aquilo que havia sido, e não há tanto tempo quanto isso, a sua sala. Depois, olhou para o candelabro que, de forma cínica para com o resto dos acessórios, ainda pendia teimosa e intactamente do tecto. O candelabro sentiu-se observado e até mesmo um pouco estúpido por porfiar naquela insistência, e por isso decidiu soltar-se e estilhaçar-se mesmo no centro da ex-mesa de café.&lt;br /&gt;Quase toda a turba havia saído em perseguição do tumultuoso duo. Verni fitou um abandonado &lt;span title="Espelho. Voz de Darth Vader. Bagão Félix como alter-ego."&gt;O Man&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;"&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Olha,&lt;/span&gt;" disse o velho, "&lt;span style="font-style: italic;"&gt;vou só ali acabar a deliberação para com eles. Queres vir comigo?&lt;/span&gt;"&lt;br /&gt;O &lt;span title="Espelho. Voz de Darth Vader. Bagão Félix como alter-ego."&gt;O Man&lt;/span&gt; soltou um silêncio ensurdecedor.&lt;br /&gt;"&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Bom, eu sei que o que eu vou dizer não te serve, não é? Eu sei que já tomaste a tua decisão, mas vou-te levar na mesma. Não teria qualquer jeito deixar-te aí completamente sozinho.&lt;/span&gt;"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Da lateral por onde o &lt;span title="Zombie. Afegão. Pseudo-intelectual."&gt;Pete&lt;/span&gt; foi visto a voar pela última vez, surgiu Cordon com uma merendeira improvisada. O mordomo esgaçou um ajeitar de bigode na direcção do seu senhor.&lt;br /&gt;Verni assentiu com a cabeça. "&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Sim, Cordon: podes começar a limpar esta trapalhada. Deixa estar que eu levo-lhes as panquecas.&lt;/span&gt;"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lá fora, faziam-se desenhos no solo fruto de impacientes pegadas.&lt;br /&gt;Faziam-se votos de que o &lt;span title="Anafado. Ponderado. Sensato. Passa-se quando lhe dirigem a palavra com algo de natureza homónima."&gt;Didelet&lt;/span&gt; estivesse bem.&lt;br /&gt;Mas, acima de tudo, faziam-se apostas.&lt;br /&gt;"&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Cinco euros em como ele aterrou de chapa contra um pinheiro,&lt;/span&gt;" opinou o &lt;span title="Steven Seagal. Anão. Sérios problemas de flatulência."&gt;Pwfh&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;"&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Cinco euros em como tu não tens cinco euros,&lt;/span&gt;" retorquiu o &lt;span title="Demis Roussos. Eládio Clímaco como ego. Vendedor ambulante."&gt;R2-D2&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;"&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Não se preocupem com o &lt;span title="Anafado. Ponderado. Sensato. Passa-se quando lhe dirigem a palavra com algo de natureza homónima."&gt;Didelet&lt;/span&gt;,&lt;/span&gt;" alvitrou Verni a sair do couto com o &lt;span title="Espelho. Voz de Darth Vader. Bagão Félix como alter-ego."&gt;O Man&lt;/span&gt; debaixo de um braço e uma lancheira na mão do outro. "&lt;span style="font-style: italic;"&gt;O Bivaldi teve a decência de o arremessar indecentemente na direcção que é suposto vocês seguirem. E não, minha querida,&lt;/span&gt;" disse o ancião para uma &lt;span title="Narcoléptica. Imune a substâncias alcalóides. Adormece por tudo e por nada."&gt;Player1331&lt;/span&gt; de dedo espetado no ar e de pergunta feita, "&lt;span style="font-style: italic;"&gt;não precisas de te preocupar com o Bivaldi. Acredita quando te digo que ele já esteve em piores apertos do que este. Para além do mais, seres mágicos como ele não sofrem com rombos superficiais da mesma forma que nós sofremos. Foi mais pela falta de educação do &lt;span title="Anafado. Ponderado. Sensato. Passa-se quando lhe dirigem a palavra com algo de natureza homónima."&gt;Didelet&lt;/span&gt; do que pelo dano sofrido que ele castigou o teu amigo.&lt;/span&gt;"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Então e o &lt;span title="Zombie. Afegão. Pseudo-intelectual."&gt;Pete&lt;/span&gt;?,&lt;/span&gt;" indagou perturbadamente a &lt;span title="Mulher-gato. Cantora. Adora natas."&gt;Anatcat&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;O &lt;span title="Zombie. Afegão. Pseudo-intelectual."&gt;Pete&lt;/span&gt; soergueu-se de forma atabalhoada do solo. "&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Quem, eu? Está tudo bem. Isto foi mais espalhafato que outra coisa.&lt;/span&gt;"&lt;br /&gt;"&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Hum... &lt;span title="Zombie. Afegão. Pseudo-intelectual."&gt;Pete&lt;/span&gt;.&lt;/span&gt;"&lt;br /&gt;"&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Sim?&lt;/span&gt;"&lt;br /&gt;"&lt;span style="font-style: italic;"&gt;A tua cabeça...&lt;/span&gt;"&lt;br /&gt;"&lt;span style="font-style: italic;"&gt;U-hum?&lt;/span&gt;"&lt;br /&gt;"&lt;span style="font-style: italic;"&gt;... e o resto do teu corpo...&lt;/span&gt;"&lt;br /&gt;"&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Sim?&lt;/span&gt;"&lt;br /&gt;"&lt;span style="font-style: italic;"&gt;... não parecem estar muito de acordo contigo.&lt;/span&gt;"&lt;br /&gt;"&lt;span style="font-style: italic;"&gt;De acordo? O que é que queres dizer com... ah,&lt;/span&gt;" soltou o &lt;span title="Zombie. Afegão. Pseudo-intelectual."&gt;Pete&lt;/span&gt;, enquanto olhava, de forma baça e relativamente difusa, para baixo, para as suas costas e o seu próprio rabo.&lt;br /&gt;"&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Hum. Isto não está no sítio certo, pois não?&lt;/span&gt;" Como quem gira uma porta giratória, o &lt;span title="Zombie. Afegão. Pseudo-intelectual."&gt;Pete&lt;/span&gt; repôs a cabeça no devido sentido.&lt;br /&gt;"&lt;span style="font-style: italic;"&gt;E agora? Melhor?&lt;/span&gt;"&lt;br /&gt;"&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Sim, melhor. Só falta mesmo tirar aí a... coisa,&lt;/span&gt;" repicou a &lt;span title="Mulher-gato. Cantora. Adora natas."&gt;Anatcat&lt;/span&gt;. "&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Do olho.&lt;/span&gt;"&lt;br /&gt;O &lt;span title="Zombie. Afegão. Pseudo-intelectual."&gt;Pete&lt;/span&gt; levou as mãos à zona ocular. Uma pessoa normal esperaria encontrar ramelas ou algo de igual e viscosa significância. O &lt;span title="Zombie. Afegão. Pseudo-intelectual."&gt;Pete&lt;/span&gt; encontrou uma colher de chá cravada no seu olho esquerdo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O &lt;span style="font-style: italic;"&gt;zombie&lt;/span&gt; desengastou a colher do glóbulo no preciso momento em que surgiu, da ponta oposta de Bivaldi, um sonoro estridor.&lt;br /&gt;Ou aquilo era um pio de Uasou, ou então alguém estava entretido a cortar azulejo do outro lado da cabana.&lt;br /&gt;Ouviu-se o som de metros e metros de envergadura de asas a baterem e a levantarem voo. Por cima do casebre, surgiu o vulto da possante ave. Ou aquilo a que se poderia chamar de o seu vulto. É que a sombra de Uasou está para os vultos como um indivíduo morbidamente obeso está para o conceito de "uns quilinhos a mais".&lt;br /&gt;"&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Ah. Aí estão eles,&lt;/span&gt;" pronunciou Verni, mais a sorrir as palavras do que a decretá-las.&lt;br /&gt;Uasou descreveu um semicírculo no ar e aterrou num salgueiro junto ao grupo, impondo todo o seu peso e usando toda a árvore como um grande poleiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do seu bico, pendia algo de redondo, amarelo e achatado.&lt;br /&gt;"&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Olha,&lt;/span&gt;" manifestou a &lt;span title="Mania que é boa. Mania que é inteligente."&gt;Anna&lt;/span&gt; enquanto passava a raia para o exterior envergando um vestido que, mesmo se usado ao abrigo de um conto de fadas, já era estar a esticar a corda. "&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Parece que alguém deu uma bolacha ao Uasou.&lt;/span&gt;"&lt;br /&gt;"&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Aquilo não é uma bolacha,&lt;/span&gt;" retrucou o velho. "&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Aquilo é um dos vossos novos companheiros. Podem tratá-lo por &lt;span title="Smiley. Redondo. Amarelo. Negativista. Voa."&gt;A&lt;/span&gt;.&lt;/span&gt;"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com alguma atenção, o grupo começou a entrever uma feição na não-bolacha. Um sorriso. Um longo e demorado sorriso. Não: não um sorriso. Um sorriso é algo que advém do acto de sorrir. Aquilo que o anunciado novo companheiro ostentava aparentava ser algo mais talhado nele do que uma cicatriz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Incrível: a minha nova vida ainda agora começou e já estou com vontade de me reduzir a nada,&lt;/span&gt;" reconveio o &lt;span title="Smiley. Redondo. Amarelo. Negativista. Voa."&gt;A&lt;/span&gt;. "&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Alguém que diga a esta avestruz que diminua a força que está a exercer sobre mim, pois não é só a carne que é fraca: o plástico de que sou feito também.&lt;/span&gt;"&lt;br /&gt;"&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Um &lt;/span&gt;smiley&lt;span style="font-style: italic;"&gt; Nietzschiano! Oh, quanta ironia!,&lt;/span&gt;" escarneceu o &lt;span title=""&gt;&lt;span title="Zombie. Afegão. Pseudo-intelectual."&gt;Pete&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;"&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Chavalo, ainda agora chegaste e já tiveste direito a um bico. &lt;/span&gt;Respect&lt;span style="font-style: italic;"&gt;!,&lt;/span&gt;" proclamou o &lt;span title="Steven Seagal. Anão. Sérios problemas de flatulência."&gt;Pwfh&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Espera,&lt;/span&gt;" invocou a &lt;span title="Narcoléptica. Imune a substâncias alcalóides. Adormece por tudo e por nada."&gt;Player1331&lt;/span&gt;, claramente ainda interessada em manter alguma lógica nos acontecimentos. "&lt;span style="font-style: italic;"&gt;O Verni disse "um dos"? Isso significa mais do que um, certo? Se assim é, onde estão os outros?&lt;/span&gt;"&lt;br /&gt;"&lt;span style="font-style: italic;font-size:78%;" &gt;Os outros não sei, mas eu estou aqui. Permita-me apresentar-me: o meu nome é &lt;span title="Smint. Honrado. Cavalheiro. Estupidamente pequeno."&gt;Drake&lt;/span&gt;. E não, o prazer é todo meu, minha senhora,&lt;/span&gt;" disse o ombro da &lt;span title="Narcoléptica. Imune a substâncias alcalóides. Adormece por tudo e por nada."&gt;Player1331&lt;/span&gt;, ou algo de incredulamente pequeno alojado no ombro da &lt;span title="Narcoléptica. Imune a substâncias alcalóides. Adormece por tudo e por nada."&gt;Player1331&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Da orla da floresta, no alinhamento do sítio para onde o &lt;span title="Anafado. Ponderado. Sensato. Passa-se quando lhe dirigem a palavra com algo de natureza homónima."&gt;Didelet&lt;/span&gt; havia sido catapultado, veio um som que milhares de anos de evolução contínua não conseguiram abafar: o som do puxar de uma escarreta.&lt;br /&gt;"&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Pá, mas isto anda-se ou é para continuarmos aqui a fazer festinhas às palavras?,&lt;/span&gt;" disse alguém.&lt;br /&gt;Alguém envergando uma camisa de colarinho pontiagudo, umas calças de boca-de-sino e encharcado em medalhões de ouro. Alguém montado num panda. O urso, não o carro. Alguém que, apesar de não ser um acrónimo, dava pelo nome de &lt;span title="Medalhões de ouro. Camisa de colarinho pontiagudo. Calças de boca-de-sino."&gt;AD&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por esta altura, vários dos elementos do grupo começavam a sentir a sanidade a querer estalar. Era como se a sanidade fosse um vaso, a realidade que conheciam fosse a mesa de onde esse vaso está a ameaçar cair e o homem de camisa de colarinho pontiagudo, calças de boca-de-sino, medalhões de ouro e montado num panda fosse a gravidade. Daquele tipo de gravidade que tem orgulho naquilo que faz e que nunca tira férias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Mas, diz-me uma coisa, jovem de gosto duvidoso em roupas: tu estás a par de alguma das coisas que foram discutidas até agora?,&lt;/span&gt;" interpelou a &lt;span title="Horatio Caine. Ponderada. Sensata. Controlo sobre a mente."&gt;Cblues&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;"&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Sim, sim, estou. É para ir não sei quê ver da cena que coiso, não é? É. E isso é que interessa. O resto é detalhe,&lt;/span&gt;" tachou o &lt;span title="Medalhões de ouro. Camisa de colarinho pontiagudo. Calças de boca-de-sino."&gt;AD&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Verni olhou para a reestruturação do grupo de uma forma puramente matemática. E a aritmética da coisa parecia-lhe tudo menos calculista.&lt;br /&gt;"&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Saem dois, entram três. As contas não batem certas. As contas &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;definitivamente&lt;/span&gt; não batem certas. E &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;ele&lt;/span&gt; já deve saber da vossa decisão e tudo. E aposto que não está nada contente. Mesmo nada contente. Aposto que já está a tomar medidas e tudo. Oh, que isto vai ser ainda mais divertido do que eu pensava!,&lt;/span&gt;" pensou Verni de si para si.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seguiu-se meia hora de apresentações, elucidações, discussões, empatias, decisões, delineações, motes e limpeza de entulho do pátio. Esta última apenas por parte de Cordon e do seu inalterável enfado.&lt;br /&gt;Nesse meio-tempo, a &lt;span title="Viciada em estupefacientes. Completamente aleatória. Sofre de síndrome de Tourette."&gt;Mary&lt;/span&gt; havia regressado do seu furtivo passeio adornada, na cabeça, com uma grinalda de flores. Algumas delas já meio comidas. Por ela.&lt;br /&gt;O &lt;span title="Indivíduo perfeitamente normal. Excepto quando se transforma num frango depenado sem cabeça. Coisa que não aconteceu nem deve vir a acontecer."&gt;Nojento&lt;/span&gt; e o &lt;span title="Espelho. Voz de Darth Vader. Bagão Félix como alter-ego."&gt;O Man&lt;/span&gt; decidiram que ficar para trás era a melhor decisão ou, na melhor das hipóteses, o melhor acto de cobardia disfarçado de decisão.&lt;br /&gt;Aos restantes, aos ali manifestos, aos que, basicamente, aceitaram querer descobrir a verdade e o porquê, Verni facilitou uma das suas últimas ajudas. "&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Transporte, aprovisionamento e alojamento. Vocês vão precisar de transporte, aprovisionamento e alojamento. E os vossos estão ali.&lt;/span&gt;"&lt;br /&gt;Verni apontou para as três mesas de esplanada assentes sobre plataformas rochosas que povoavam um dos cantos escusos do jardim. Três enormes chapéus-de-sol serviam de dossel a, respectivamente, cada uma das mesas.&lt;br /&gt;O &lt;span title="Demis Roussos. Eládio Clímaco como ego. Vendedor ambulante."&gt;R2-D2&lt;/span&gt; começou a afirmar "&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Então mas de que forma é que mesas de jardim nos vão-,&lt;/span&gt;" mas depressa se calou.&lt;br /&gt;As mesas começaram a saracotear-se, e as plataformas de pedra começaram a elevar-se no ar. Meras superfícies rochosas transformaram-se em escolhos. Escolhos com pernas, placas, carapaças e pequenas cabecinhas retrácteis.&lt;br /&gt;As três tartarugas aguardaram com as suas naturais paciências que toda a terra solta e a poeira lhes escorresse das carapaças antes de, e com meia-volta, encararem o grupo com olhares de sonolenta languidez. Degraus talhados nas carapaças definiam o caminho até às mesas no topo de cada um dos animais, e só agora é que o grupo via que tanto as mesas, como as cadeiras, como os chapéus-de-sol estavam atarraxados à superfície da carapaça.&lt;br /&gt;"&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Estas são a Chobin e a Magner, e aquele senhor ali é o Wozart. Eles serão a vossa companhia, bem como a vossa estadia e a vossa transportadora oficiais. No topo de cada um deles, encontrarão um alçapão. Estes dar-vos-ão, no caso de Chobin e Magner, acesso às despensas, artilhadas com víveres suficientes para não se preocuparem com comida e com bebida durante largo tempo. Wozart será o vosso motel ambulante.&lt;/span&gt;"&lt;br /&gt;"Wow&lt;span style="font-style: italic;"&gt;. Mas estes bichos têm fundo?,&lt;/span&gt;" interpelou o &lt;span title="Steven Seagal. Anão. Sérios problemas de flatulência."&gt;Pwfh&lt;/span&gt;, já empoleirado nas costas de Magner e de cabeça enfiada no alçapão. "&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Isto tem escadas para descer e tudo. E, que eu veja, não há fim para as prateleiras cá dentro. O que quer que o velho tenha feito com o interior ali da casa-choco, também fez com estes bichos.&lt;/span&gt;"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"&lt;span style="font-style: italic;"&gt;É bem verdade. Não é só Bivaldi que abdica um pouco das leis da regular Física em prol de um pouco mais de espaço e conforto. E temo que praticamente nada mais tenha para vos dar ou acrescentar. Aconselho-vos a porem-se a caminho se querem apanhar o &lt;span title="Anafado. Ponderado. Sensato. Passa-se quando lhe dirigem a palavra com algo de natureza homónima."&gt;Didelet&lt;/span&gt;. O coitado deve estar a sentir-se meio perdido neste preciso instante. E, caso também sintam que estão perdidos ou necessitam de orientação para o ponto de "envio", não hesitem em consultar os marcos existentes ao longo do caminho. Desejo-vos toda a sorte deste mundo, meus amigos.&lt;/span&gt;"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Após quase dois anos, o Narrador procura saber:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em que tartaruga gostariam de ir? Com quem gostariam de viajar lado a lado?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Submetam os vossos trâmites iniciais na viagem por comentário ou, caso não pretendam dar a conhecer a vossa intenção a terceiros, submetam por &lt;span style="font-style: italic;"&gt;email&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;Todos menos o Didelet, que esse já tem o destino traçado.&lt;br /&gt;São livres de optar por não fazer nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para efeitos de intrigas e conspirações, o &lt;span style="font-style: italic;"&gt;email&lt;/span&gt; &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;contameumaestoria@gmail.com&lt;/span&gt; permanece sempre ao vosso dispor.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2958089694474135059-2181622421194311714?l=contameumaestoria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://contameumaestoria.blogspot.com/feeds/2181622421194311714/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2958089694474135059&amp;postID=2181622421194311714' title='18 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2958089694474135059/posts/default/2181622421194311714'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2958089694474135059/posts/default/2181622421194311714'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contameumaestoria.blogspot.com/2010/08/capitulo-iii-cada-pergunta-pressupoe_11.html' title='Capítulo III: Cada pergunta pressupõe a ausência da sua resposta'/><author><name>grassa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08493210197622744344</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://2.bp.blogspot.com/_ENV-_G6l0DY/S7oLYC8pa0I/AAAAAAAAA3c/StA7r4ZFBLY/S220/baby_wild.jpg'/></author><thr:total>18</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2958089694474135059.post-2055920421834706841</id><published>2008-11-19T19:24:00.001Z</published><updated>2010-08-17T14:10:43.998+01:00</updated><title type='text'>Capítulo II: Selecção factícia</title><content type='html'>&lt;object data="http://flash-mp3-player.net/medias/player_mp3.swf" type="application/x-shockwave-flash" width="200" height="20"&gt;     &lt;param name="movie" value="http://flash-mp3-player.net/medias/player_mp3.swf"&gt;    &lt;param name="bgcolor" value="#ffffff"&gt;    &lt;param name="FlashVars" value="mp3=http://lamda.bluelaguna.net/ff9music/05%20-%20Vivi%27s%20Theme.mp3&amp;amp;buttonovercolor=e8e8e8&amp;amp;slidercolor1=fcfcfc&amp;amp;slidercolor2=999999&amp;amp;sliderovercolor=ebebeb"&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;A&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;inda entorpecidos pela comoção, e já com o velho fora de mira, os onze elementos do recém-ajuntado grupo lá foram saindo da inércia e reagindo, cada um ao seu modo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Pwfh indagava-se do porquê de os seus pés não se encontrarem em contacto com o solo.&lt;br /&gt;A sua posição horizontal e em pleno voo estremunhava-o ainda mais.&lt;br /&gt;E o que era aquilo que lhe embateu em cheio no queixo? "&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Seriam... nós de dedos?,&lt;/span&gt;" inquiria-se o Pwfh, imediatamente antes de aterrar dolorosa e cabeçudamente no solo junto a um dos tentáculos do molusco avivendado.&lt;br /&gt;Por cima da sua face e da poeira mal assente criada pela sua queda surgiu a alegre carranca da Anna.&lt;br /&gt;"&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Voltas a fazer um remoque envolvendo o meu rabo e um qualquer utensílio de carpintaria e eu conto-te uma estória, meu menino,&lt;/span&gt;" declamou a Anna com um dedo acusador colado ao nariz do Pwfh.&lt;br /&gt;Soltando um combinado entre gritinho de espanto e lhano sorriso, a Anna deu um carinhoso beijo na testa do anão e seguiu numa execução fisioterapêutica do Hula do Rei Leão em direcção à choupana.&lt;br /&gt;Com uma festa na ombreira da porta acompanhada de um "&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Bicho lindo&lt;/span&gt;", a rapariga desapareceu opacamente na escuridão da entrada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Estranha rapariga,&lt;/span&gt;" pensava-se generalizadamente entre os que sobraram no exterior, tirando o Pwfh, que em vez de "estranha", adjectivava a Anna com algo bem mais brejeiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Não sei se partilham desta minha opinião, mas julgo que devíamos tomar entre mãos uma acção em tudo semelhante àquela que aquela moça acabou de tomar. Ou seja, entrar naquela casa, quanto mais não seja por estarmos todos movidos pela curiosidade e desejarmos, no fundo, saber exactamente o que está aqui em decurso,&lt;/span&gt;" discursou enfaticamente o Didelet que, pela altura em que terminou, já só se encontrava no jardim com uma adormecida Player1331.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todos os restantes não haviam perdido tempo algum em avançar.&lt;br /&gt;A promessa de um quentinho chá, a tal curiosidade que o Didelet apregoava e a desconfortável presença das duas criaturas do velho - especialmente a do imenso pássaro - formaram-se razões mais do que suficientes para que se progredisse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Pwfh havia-se elevado em três tempos do sobrado e seguido atrás da Anna, pontapeando a terra, balbuciando qualquer coisa num engrimanço só dele e soltando uma quantidade de gás flatulento suficiente para manter no ar um pequeno zepelim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Pato e a Mary Birth, sem que niguém percebesse muito bem como, já se encontravam longe do jardim e bem dentro da casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Pete e a Cblues, como bons pseudo-apreciadores de chá, pseudo-encaminharam-se lado a lado para o interior do edifício.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Man, esse, deu por si a ser soerguido por algo.&lt;br /&gt;E "algo" era a descrição correcta.&lt;br /&gt;Peles flácidas e escalvadas estigmatizavam-lhe a superfície reflectora.&lt;br /&gt;Se o O Man tivesse olhos, estes estariam a implorar para serem cosidos a sangue frio.&lt;br /&gt;"&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Que falta de classe e de bom senso,&lt;/span&gt;" tagarelou o Tiagu para o espelho ensovacado debaixo do seu braço. "&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Deixar assim um espelho ao frio, para apanhar um resfriado. Tão pouco &lt;/span&gt;british&lt;span style="font-style: italic;"&gt; destas gentes. Eu levo-o, meu caro.&lt;/span&gt;"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O R2-D2 arrepiou caminho a passos confiantes, cantarolando entusiasticamente o tema principal do filme "Zorba, o Grego".&lt;br /&gt;Um cântico que levou ao limite toda a estrutura molecular do O Man, que claramente ainda não tinha problemas suficientes a assombrá-lo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sentindo-se só, e de sobremaneira apatetado por estar a falar para o boneco, o Didelet apressou-se para a palhoça, fechando estrepitosamente a porta atrás de si.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Player1331 escolheu precisamente esse instante para acordar, ainda a afogar o berro que a visão do Pato havia iniciado.&lt;br /&gt;Ainda foram necessários alguns segundos para que ela desse conta que se encontrava esparramada de bruços no pavimento.&lt;br /&gt;A sua primeira tentativa de arrimo foi acompanhada de uma fria e pegajosa sensação, sensação essa fruto de um frio e pegajoso tentáculo que se enrolava em torno da sua perna esquerda.&lt;br /&gt;A Player1331 soltou novo berro e arrastou-se no solo para trás, movimento esse que, para além de a soltar com sucesso do apêndice do polvo-choupana, a levou a chocar de costas com o varano.&lt;br /&gt;"&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Ele só te está a tentar levar para o seu interior, para ao pé dos teus amigos,&lt;/span&gt;" afirmou o jovial varano.&lt;br /&gt;"&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Eles não são meus amigos,&lt;/span&gt;" articulou com o olhar na vertical a Player1331, "&lt;span style="font-style: italic;"&gt;são... e tu és... Tenho sono. E cheira-me a bolachinhas.&lt;/span&gt;"&lt;br /&gt;"&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Sim, bolachinhas. E chá também, pelo que me constou. Tens o teu quinhão à tua espera. Eles já lá estão dentro. Devias ir andando, sem mais delongas.&lt;/span&gt;"&lt;br /&gt;A Player1331 olhou no sentido da casa. Viu o Pete a perscrutar à janela. Voltou a olhar para o varano. Viu o varano a sorrir de forma ainda mais ampla. Voltou a olhar para o Pete. E de novo para o varano.&lt;br /&gt;"&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Bom, então acho que vou andando, não é? Não os quero deixar à espera mais do que o necessário,&lt;/span&gt;" parolou incomodamente a Player1331, enquanto se dirigia em passo de caranguejo para o colmado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A entrada da Player1331 na cabana coincidiu com um sonoro "&lt;span style="font-style: italic;"&gt;PWIP!&lt;/span&gt;" lançado pelo desproporcionado pássaro.&lt;br /&gt;Um "&lt;span style="font-style: italic;"&gt;PWIP!&lt;/span&gt;" que soou em tudo semelhante a um "&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Irra! Até que enfim que eles se foram!&lt;/span&gt;"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não foi com grande admiração que o grupo constatou que a casa, no seu interior, desafiava as leis da Física.&lt;br /&gt;Pelo menos, da Física que se conhece.&lt;br /&gt;Por dentro, o rústico casebre dava ares de ser bem maior do que o que aparentava do exterior.&lt;br /&gt;Todos entraram directamente para uma enorme sala de estar. Exactamente a meio desta, crepitavam uns quantos toros numa lareira de proporções e detalhe épicos.&lt;br /&gt;Se neste mundo existisse uma Inglaterra, dir-se-ia que a decoração interior da casa era muito, muito vitoriana.&lt;br /&gt;Num dos sofás que ladeavam a extensa mesa central - no canapé mais próximo da lareira - encontrava-se, aparentemente, mais uma das criaturas mitológicas do velhote.&lt;br /&gt;Sentada no quentinho, servida com um belo pires de natas, encontrava-se uma mulher-gato.&lt;br /&gt;Ou uma gata-mulher.&lt;br /&gt;Enfim: um Gato das Botas mas na versão feminina da coisa.&lt;br /&gt;Uma Gata das Botas que todos sabiam apelidar-se de Anatcat.&lt;br /&gt;Como é que cada um deles sabia o seu nome, isso era-lhes um mistério.&lt;br /&gt;E da mesma forma que sabiam o epíteto da felina rapariga, tomaram nota de que tinham o conhecimento de cada um dos epítetos dos outros indivíduos do grupo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Não pensem mais nisso que não vale a pena. Fui eu que tomei a liberdade de vos colocar na cabeça os nomes dos restantes que vos acompanham. Assim, aceleramos um pouco mais as coisas e evitamos aquela situação sempre aborrecida de se apresentarem uns aos outros,&lt;/span&gt;" revelou o velho, que se encontrava firmado na única poltrona na divisão, a poltrona que encabeçava o semicírculo de sofás.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ninguém contestou esta projecção de poder do ancião, assim como ninguém contestou o facto de a Mary já se encontrar a inspirar as cinzas do soalho junto à laje da lareira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Anna. Onde... está... a... Anna?,&lt;/span&gt;" espumejou o Pwfh entre um traque e duas bufas em si bemol.&lt;br /&gt;"&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Ah, a espirituosa e doce Anna. Ela entrou aqui esbaforida a pregar que se estava a sentir imunda e que estava a precisar de tomar um bom banho. Deixei-a ir-se aprumar. Ela juntar-se-á a nós daqui a nada.&lt;/span&gt;"&lt;br /&gt;O Pwfh ainda impôs um passo irritado na direcção do único corredor que saía do compartimento.&lt;br /&gt;O velho acenou para um dos sofás e enunciou calmamente: "&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Acalma-te, rapaz. Senta-te aí e relaxa um pouco.&lt;/span&gt;"&lt;br /&gt;E O Pwfh deu por si a soltar um perplexo "&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Mas o que...&lt;/span&gt;" e a sentar-se relaxadamente no sofá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Hum... tenho um tal de "Nojento" em mente, mas não estou a conseguir associar o nome a nenhum de nós. Quem é o Nojento?,&lt;/span&gt;" perguntou o Didelet de por detrás de um dos assentos estofados.&lt;br /&gt;"&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Ainda bem que perguntas. O Nojento é o senhor que vai entrar agora por ali,&lt;/span&gt;" asseverou o velho, apontando para a janela à sua direita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Através de uma ribombante explosão de vidro e lascas de madeira, a janela rebentou para dentro e o Nojento entrou em cena, chocando violentamente contra a parede oposta.&lt;br /&gt;Impávido e sereno, o velhote esperou que a tropelia de pó e cascalho amainasse antes de aconselhar que "&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Provocar o Uasou não foi a mais sábia das decisões, Nojento. Ele é uma ave muito temperamental.&lt;/span&gt;"&lt;br /&gt;O Nojento nada disse, limitando-se a cuspir um dos caixilhos que se lhe havia atravancado na boca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Concluindo a réplica à tua questão, Didelet, o Nojento é, tal como ali a Anatcat, parte integrante do vosso montão. Era, até há bem pouco, o elemento em falta. Com ele, o círculo dos treze está agora completo.&lt;/span&gt;" O velho pausou para esquadrinhar o renque de onde, supostamente, a Anna viria a surgir. "&lt;span style="font-style: italic;"&gt;E enquanto a Anna não regressa do seu duche, podemos, talvez, ir bebericando um chá. Quando ela chegar, conto-vos tudo o que desejam e precisam de saber. Sentem-se, sentem-se. Cordon, traz-nos o chá, por favor.&lt;/span&gt;"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Da ala, emergiu uma figura deveras &lt;span style="font-style: italic;"&gt;sui generis&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;Cordon, um hipopótamo bípede de pose aristocrata, ostentava um fardamento de mordomo. Para além de uma área e um volume matematicamente incalculáveis, Cordon apresentava ainda uma mui tratada e farfalhuda bigodeira por cima da mandíbula superior. É como se o paquiderme tivesse comido os Três Mosqueteiros e tivesse deixado de fora apenas o bigode do Aramis.&lt;br /&gt;Na pata direita, transportava uma vasta bandeja prateada com um bule ao centro e mais de uma dezena de chávenas equitativamente distribuídas em seu redor.&lt;br /&gt;Na pata esquerda, outra bandeja prateada mas de menores dimensões transportava um prato com uma pirâmide de bolachinhas equilibrada com grande mestria.&lt;br /&gt;"&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Este é o Cordon, o meu auxiliar mor. Já tiveram, lá fora, a oportunidade de conhecer o Uasou, o Omell e o Bivaldi, do qual estão agora dentro. E não se preocupem com o facto de estarem dentro de um ser &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;vivo&lt;/span&gt;. O Bivaldi não vos vai digerir nem nada que se pareça. Ele é um ser mágico. Está acima de necessidades básicas como o comer, o beber ou o dormir. Cordon, toma a liberdade de servir os nossos ilustres convidados.&lt;/span&gt;"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com um encolher de ombros, o massivo servente colocou a bandeja com as bolachinhas no centro da grande mesa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A grande custo, o Nojento sentou-se na ponta do sofá mais próximo, ainda a limpar da roupa e do cabelo as puas e os estilhaços que sobejavam da sua entrada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do flanco oposto à janela, junto a uma estante composta com uma mini-biblioteca, o Pete pronunciou-se: "&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Por acaso não teria nada de Proust, não?&lt;/span&gt;"&lt;br /&gt;"&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Julgo que sim. Vê aí na terceira prateleira a contar de cima, à direita,&lt;/span&gt;" narrou o velho.&lt;br /&gt;"&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Já vi. Não está cá nada.&lt;/span&gt;"&lt;br /&gt;"&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Vê outra vez.&lt;/span&gt;"&lt;br /&gt;"&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Não está cá nada. Já verif...,&lt;/span&gt;" dizia o Pete, enquanto olhava abespinhado para a lomba do "À la Recherche du Temps Perdu" de Proust.&lt;br /&gt;"&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Hum. Engraçado. Ia jurar que tinha corrido todos os livros desta fileira... Mas óptimo. Nunca se deve beber chá sem se ler uma boa folha,&lt;/span&gt;" expôs o Pete, enquanto sacava do livro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nisto, entrou na divisão a Anna, envolta num imenso toalhão e com uma toalha enrolada em volta do cabelo. "&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Aaaaahhh, nada mais salutar do que um bom banho, daqueles com sais de banho e assim, para edificar de novo as forças. E vocês não vão acreditar, mas a banheira do velhote é enorme! Daquelas redondas e com espaço para toda a família. E mesmo assim consegui encher aquilo com mais espuma do que água,&lt;/span&gt;" debitou incessantemente a Anna para uma plateia que se manteve sisuda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Pwfh tentou pular do sofá rumo à Anna.&lt;br /&gt;"&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Quezílias agora não, por favor,&lt;/span&gt;" exprimiu o velho que, com um gesto sereno, atarraxou o anão Seagalês ao enchumaço do assento. "&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Toma antes um chá. Que tal?&lt;/span&gt;"&lt;br /&gt;O Pwfh ainda se convulsionou, mas sem qualquer efeito prático.&lt;br /&gt;De estrebucho irrisório, o Pwfh resignou-se.&lt;br /&gt;"&lt;span style="font-style: italic;"&gt;O chá é uma paneleiragem para meninas e cabrestos. Tragam-me antes umas folhas de chá e uma mortalha.&lt;/span&gt;"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cordon deu a volta à mesa interpelando, um a um e cada um, sobre qual o chá que desejavam, deixando o grupo estupefacto com o facto de todos os diferentes chás estarem a ser servidos a partir do mesmo bule.&lt;br /&gt;Magia era algo a que o grupo ainda não estava, claramente, habituado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com Anatcat já servida, o mordomo serviu aos restantes chás das mais diversas cores e sabores.&lt;br /&gt;Chá preto.&lt;br /&gt;Chá verde.&lt;br /&gt;Chá branco.&lt;br /&gt;Chá transparente.&lt;br /&gt;Chá às bolinhas amarelo-torradas, para o R2-D2, que alegava ser essa a cor que a equipa da Hungria utilizava nos Jogos Sem Fronteiras.&lt;br /&gt;Chá de alho, para o Pato.&lt;br /&gt;Chá de limão, bem esquentado, para a Cblues, mais habituada - dizia ela - ao clima quente de Miami.&lt;br /&gt;Chá de café, para o Pete.&lt;br /&gt;Chá de Rooibos e Gingko Biloba para o desnudado Tiagu, que foi forçado, para muito lamento seu, a repetir quatro vezes o nome do seu pretensioso chá.&lt;br /&gt;Chá de "Não sei, senhor mordomo, se já reparou que eu sou um espelho, não tenho boca, por isso deixe lá o chá, muito obrigado?" para o O Man.&lt;br /&gt;Chá mon para a Mary, que se arredou de ao pé da lareira para a periferia de Cordon para receber deste a sua xícara.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"My God&lt;span style="font-style: italic;"&gt;, mas que falta de gabarito. Cordon, onde está a minha colher de chá? Isto é uma colher de café,&lt;/span&gt;" apontava cinicamente o Tiagu com a colher erguida.&lt;br /&gt;"&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Sempre pode mexer o chá com isto,&lt;/span&gt;" acentuou o R2-D2, estendendo um vibrador na direcção da desataviada &lt;span style="font-style: italic;"&gt;socialite&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;De túnica aberta, o R2-D2 exibia toda uma imensidão de artigos chineses emplastrados no forro.&lt;br /&gt;Do vibrador, entoava uma melodia rica em obscenidades, uma melodia digna da Tourettice da própria Mary.&lt;br /&gt;Chocado, o Tiagu recusou veementemente o brinde, mas não os orgasmos.&lt;br /&gt;Quais orgasmos?&lt;br /&gt;Ora, os três orgasmos que teve logo de seguida e apenas em trinta segundos, e que tentou, sem sucesso, disfarçar, apesar dos imensos esguichos que de si borbotavam para cima da pirâmide de bolachinhas.&lt;br /&gt;Coincidência ou não, mais ninguém tocou nas bolachas depois disso.&lt;br /&gt;E as digeridas até então foram mantidas a custo nos respectivos estômagos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cordon serviu uma última xícara de chá, sem que ninguém tivesse efectuado qualquer pedido nesse sentido.&lt;br /&gt;Percebendo que o escopo era o velho, a Mary antecipou-se ao criado e agarrou na chávena. "&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Deixa estar, eu entrego esta. Escroto. Escroto! Pila pila c-c-coelhinhos de chocolate de leite!,&lt;/span&gt;" anelou de permeio de um sorriso nervoso.&lt;br /&gt;Sub-repticiamente, a Mary injectou no chá gramas de MD suficientes para drogar psicadelicamente uma manada inteira de búfalos.&lt;br /&gt;"&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Isto deve chegar para o velho ficar com uma estrica jeitosa,&lt;/span&gt;" pensou divertidamente para si mesma.&lt;br /&gt;"&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Ora, muito obrigado, minha doce Mary. Muito simpático da tua parte,&lt;/span&gt;" agradeceu o ancião ao receber a chávena das mãos de uma Mary de sorriso cúmplice.&lt;br /&gt;Sorriso que se desfez quase de imediato quando o velho acresceu "&lt;span style="font-style: italic;"&gt;E muito obrigado por já teres posto o "açúcar", querida. Mesmo ao meu gosto.&lt;/span&gt;"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Mary sentou-se encabulada junto de onde o O Man tinha sido depositado pelo Tiagu.&lt;br /&gt;"&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Eu vi o que tu fizeste. Não foi bonito. E eu sou o teu pai,&lt;/span&gt;" afirmou o O Man no seu tom Vaderesco.&lt;br /&gt;Ou, pelo menos, foi isso que a Mary julgou ouvir.&lt;br /&gt;De olhar desassisado e com as cinzas a começarem a bater, a Mary fitou o O Man e desbaratou um "&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Holly shit, damn, fuck, hell, fart, snail, pickle, jerk!&lt;/span&gt;"&lt;br /&gt;De seguida, arremessou-lhe os sapatos e a xícara, aspirou o interior de um pequeno tubinho que trazia no bolso e colocou-se a dançar o &lt;span style="font-style: italic;"&gt;twist&lt;/span&gt; junto, novamente, da lareira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com dois tragos bem dados no chá, o velho fez por não dar qualquer importância à forma de proceder da Mary e iniciou, lúcida e finalmente, o seu discurso.&lt;br /&gt;"&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Permitam que, por fim, me apresente: o meu nome é Verni. Dou-vos o nome para que possam saber como se dirigirem a mim, embora nem eu nem o meu nome sejamos aqui a parte relevante. Aqui, o importante é vocês saberem quem são, porque o são e porque aqui estão. Para começar, o vosso aspecto. A vossa figura neste mundo mais não é do que a manifestação de como vocês gostariam de ser no vosso mundo. A vossa personalidade é uma mescla entre a personalidade julgada daquilo que aparentam e a vossa própria personalidade.&lt;/span&gt;"&lt;br /&gt;Todos se entreolharam.&lt;br /&gt;Todos olharam em sincronia para o Tiagu.&lt;br /&gt;Ninguém disse nada.&lt;br /&gt;"&lt;span style="font-style: italic;"&gt;A partir do momento em que tomaram consciência do vosso novo ser,&lt;/span&gt;" continuou o velho, "&lt;span style="font-style: italic;"&gt;o processo de assimilação do corpo em que agora se revêem foi quase imediato. Pode-se dizer que foi um período adaptativo quase instintivo. Aqui, vocês &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;tornaram-se&lt;/span&gt; exactamente aquilo que aparentam.&lt;/span&gt;"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O som do gorgolejo provocado pelo bebericar do chá por parte do Pete - o mesmo chá que lhe escorria para fora da garganta alanceada - encheu cavernosamente a sala quando o velho se emudeceu por mais uns breves momentos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sentindo que o velho estava a esconder algo, a Cblues tirou os óculos.&lt;br /&gt;Como controladora de mentes, existia, para ela, sempre a possibilidade de o fervor de um momento subjugar o seu lado racional, e o seu controlo mental ser inconscientemente activado.&lt;br /&gt;Os óculos eram o seu coador, a sua prevenção e protecção para segundos e terceiros.&lt;br /&gt;A Cblues aguardou que o ancião estabelecesse contacto visual com ela e, sem que ninguém se apercebesse, tentou dominar a mente deste.&lt;br /&gt;O velhote fitou-a durante um bocado, e depois esboçou um sorriso. "&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Precisas de alguma coisa, querida?,&lt;/span&gt;" disse o velho para a Cblues, incólume perante a manipulação gorada desta.&lt;br /&gt;Surpresa pela gritante imunidade do velho ao seu controlo, a Cblues propalou de forma desacomodada: "&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Quem? Eu? Nada, nada. Tenho é uma questão: porque é que estamos aqui mesmo? Hum, e Tiagu, cubra-se, por favor; é que já me está a ferir a visão periférica.&lt;/span&gt;"&lt;br /&gt;O Tiagu trejeiteou com desprezo a clara falta de grife e &lt;span style="font-style: italic;"&gt;finesse&lt;/span&gt; da Cblues embora, e ao mesmo tempo, sentisse uma quase irresistível vontade de lhe bater palmas pelo impressionante desempenho dela no papel que encenou frente ao velho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Porque estão vocês aqui? Esse é que é o busílis de toda esta conversa. E em boa verdade, meus amigos, essa é a única pendência para a qual eu não possuo resposta. Sabem, o Universo desdobra-se de formas infinitamente misteriosas. E eu sou meramente o agente dele que, por estas partes, as sabe interpretar. Tenho uma falível concepção de qual o vosso desígnio nestas paragens, mas não vos quero induzir em erro. Longe de mim dar-vos uma ideia apenas para que esta se prove, mais tarde, como errada.&lt;/span&gt;"&lt;br /&gt;A desconfiança sobre se o velho estaria a dizer a verdade ou não era global.&lt;br /&gt;Com mais um sorriso, o velhote aditou: "&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Sei o que estão a pensar, mas vejam a coisa deste prisma: seria muita presunção da minha parte eu assumir que sei tudo, não acham? Prefiro ajuizar que tenho sempre uma vaga noção das coisas.&lt;/span&gt;"&lt;br /&gt;O velho parou para sorver mais um gole de chá.&lt;br /&gt;"&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Sei, no entanto, de alguém que grassa - assim presume ele - saber tudo. Mas já voltaremos a ele. Daqui a pouco. Por agora, quero esclarecer mais uns quantos pontos.&lt;/span&gt;"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Este chá é &lt;/span&gt;gourmet&lt;span style="font-style: italic;"&gt;?,&lt;/span&gt;" interrompeu o Tiagu, agradado de forma microscopicamente notória pela infusão que lhe foi servida.&lt;br /&gt;"&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Não, Tiagu. Não é,&lt;/span&gt;" suspirou o velho em palavras cansadas.&lt;br /&gt;A resposta negativa incomodou o Tiagu de forma macroscopicamente notória, como era bem visível no ataque de possidonite que se lhe acometeu.&lt;br /&gt;Um ataque que lhe descaiu ainda mais os sacos do Pingo Doce a que chamava seios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta última imagem aterradora relembrou o O Man da repulsa atroz que sentiu no trajecto que executou na companhia forçada do Tiagu.&lt;br /&gt;E do projecto que planeou levar a cabo.&lt;br /&gt;"&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Verni, diga-me o ilustre de sua justiça: seria possível criar um fundo ecuménico de solidariedade para pessoas com pele flácida? O dinheiro pode vir da União Europeia,&lt;/span&gt;" apiedou o O Man.&lt;br /&gt;"&lt;span style="font-style: italic;"&gt;União Europeia? Oh, meu caro, nós aqui não temos nada disso. Fazemos assim: eu coloco-lhe aqui esta bolsinha de couro pendurada nesta talha da sua moldura, e quem quiser pode colocar lá uma ou outra divisa de valor cambial. Moedinhas, vá. Esse pode ser o seu fundo de de solidariedade. O que acha?&lt;/span&gt;"&lt;br /&gt;A face envidraçada do O Man manteve-se impávida, mas dava para perceber que o espelho estava ligeiramente amuado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Bom, e se calhar antecipo-me já às vossas próximas interrogações e aduzo-vos já as respostas,&lt;/span&gt;" prorrogou o velho. "&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Vocês não se materializaram na minha propriedade. Eu não moro aqui. Aliás, a bem ver, eu não habito em lado algum. Podem considerar-me como que um errante. Eu simplesmente acompanho os pontos de "recepção" de entidades provindas de outros mundos. Sou eu que as inicio às suas novas realidades. Esse foi o papel que me foi confiado por quem gere este plano de existência. E enquanto que os pontos de "recepção" podem ser muitos e diversamente localizados, pontos de "envio" só existe um e determinadamente fixo. Se quiserem regressar ao vosso mundo de origem, é a este ponto que se devem dirigir. Mas mais vos digo: se vocês aqui estão, não é por um mero acaso. Todo e qualquer ente que aqui brota, brota porque &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;alguém o convocou&lt;/span&gt;. Vocês foram &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;todos convocados&lt;/span&gt;. Quase ao mesmo tempo e num mesmo ponto de "recepção". E convocados por um propósito. Vocês estão aqui para algo. Algo ao capricho de alguém. O quê e quem, essa é a tal resposta que não vos consigo ministrar. Eu não, mas, e como já tinha referido, conheço alguém que vos pode levar mais além no entendimento da vossa senda. É a ele que vos vou endereçar. Agora: têm mais alguma inquirição que me queiram colocar? Pensem bem, pois assim que eu vos puser no vosso caminho eu não estarei lá para vos ajudar...&lt;/span&gt;"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;O Narrador procura saber&lt;/span&gt;:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Têm mais alguma questão de última hora a colocar ao ancião?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Submetam a vossa decisão por comentário ou, caso não pretendam dar a conhecer a vossa intenção a terceiros, submetam por &lt;span style="font-style: italic;"&gt;email&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;São livres de optar por não fazer nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para efeitos de intrigas e conspirações, o &lt;span style="font-style: italic;"&gt;email&lt;/span&gt; &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;contameumaestoria@gmail.com&lt;/span&gt; permanece sempre  ao vosso dispor.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2958089694474135059-2055920421834706841?l=contameumaestoria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://contameumaestoria.blogspot.com/feeds/2055920421834706841/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2958089694474135059&amp;postID=2055920421834706841' title='22 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2958089694474135059/posts/default/2055920421834706841'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2958089694474135059/posts/default/2055920421834706841'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contameumaestoria.blogspot.com/2008/11/conta-me-uma-estria-captulo-ii.html' title='Capítulo II: Selecção factícia'/><author><name>grassa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08493210197622744344</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://2.bp.blogspot.com/_ENV-_G6l0DY/S7oLYC8pa0I/AAAAAAAAA3c/StA7r4ZFBLY/S220/baby_wild.jpg'/></author><thr:total>22</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2958089694474135059.post-7290068616498136204</id><published>2008-11-18T19:46:00.002Z</published><updated>2010-08-17T14:11:43.735+01:00</updated><title type='text'>Capítulo I: Todo um outro Mundo</title><content type='html'>&lt;object data="http://flash-mp3-player.net/medias/player_mp3.swf" type="application/x-shockwave-flash" width="200" height="20"&gt;     &lt;param name="movie" value="http://flash-mp3-player.net/medias/player_mp3.swf"&gt;    &lt;param name="bgcolor" value="#ffffff"&gt;    &lt;param name="FlashVars" value="mp3=http://lamda.bluelaguna.net/final-fantasy-xii-12-ost-soundtrack/102%20FINAL%20FANTASY%20~FFXII%20Version~.mp3&amp;amp;buttonovercolor=e8e8e8&amp;amp;slidercolor1=fcfcfc&amp;amp;slidercolor2=999999&amp;amp;sliderovercolor=ebebeb"&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;N&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;um minuto, está-se ao espelho a ajeitar o raio do colar cervical que teima em se desajustar.&lt;br /&gt;No outro, estranha-se a bizarria de se estar a levar com uma leviana brisa na face, e de se ter o fofo tapete do chapéu de um sobrenatural e gigantesco cogumelo debaixo dos pés.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Num minuto, está-se a proceder à preparação de uma inversão cromossómica de glândulas salivares de larvas.&lt;br /&gt;No outro, tem-se de frente, olho nos olhos, um copioso globo ocular fixo e intrigado na nossa pessoa, globo ocular esse que, assim que se afasta e permite vislumbrar a quem ele pertence, desdobra à nossa vista a irreal visão de um enorme varano apoiado sobre as duas patas traseiras.&lt;br /&gt;Um varano que &lt;span style="font-style: italic; font-weight: bold;"&gt;sorri&lt;/span&gt; para nós.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Num minuto, está-se a entrar numa sala de aula, ou a coçá-los numa Repartição de Finanças, ou a implementar um &lt;span style="font-style: italic;"&gt;web service&lt;/span&gt;, ou a trabalhar arduamente no Museu de Ciência, ou a dizer ao chefe que a culpa não é dele, ou a puxar o autoclismo, ou a preparar o lanche, ou a jogar à bola, ou a tomar um café com o melhor amigo.&lt;br /&gt;No outro, está-se arrebatado pela prodigiosa envergadura da gigantesca ave que sobre nós augura, uma espécie de aparição saída de um qualquer conto fantástico.&lt;br /&gt;Um gaio, desmesurado, de largos metros de altura, de penas pintalgadas de cores que nem sequer se julgavam existir, e que parecem de cores totalmente diferentes a cada vez que se olha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo mudou num minuto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E a casualidade banal de quem está habituado à real realidade deu lugar ao choque.&lt;br /&gt;Onze individualidades perdidas num imenso jardim que, até agora, só existia na crendice do imaginário.&lt;br /&gt;Um jardim com plantas exóticas, algumas delas ofendidas por estarem a ser espezinhadas por estes abjectos estrangeiros.&lt;br /&gt;Com animais pródigos em excentricidade, pelo menos olhando para os dois que perante eles se manifestavam.&lt;br /&gt;Os dois &lt;span style="font-style: italic; font-weight: bold;"&gt;visíveis&lt;/span&gt; no momento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Onze individualidades perdidas.&lt;br /&gt;E sem qualquer consciência tomada sobre o que os cercava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Pete foi o primeiro a conseguir sair da catatonia, apenas para dar por si a olhar para trás em resposta ao som de passos em terra batida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Ah, óptimo, já chegaram,&lt;/span&gt;" disse o ancião sobrevindo por detrás do grupo.&lt;br /&gt;"&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Ora deixa cá ver: um, dois, três... dez, onze. Humpf. Falta o outro. Atrasado, como é seu apanágio.&lt;/span&gt;"&lt;br /&gt;O velhote, apesar das suas gastas e andrajosas vestes e de uma débil forma de se deslocar, punha os sentidos em alerta pela forma como mirava, com aguda e penetrante argúcia, cada um dos aparentes intrusos à sua moradia.&lt;br /&gt;Um sorriso formou-se no rosto do velho.&lt;br /&gt;"&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Mas que grupo mais esfarrapado que vocês me saíram. E cada um único à sua maneira. E isso é que é preciso. Bom, vá, venham lá. Entrem,&lt;/span&gt;" pediu o velho, enquanto estendia uma mão em direcção àquilo que, supostamente, seria a sua choupana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todos olharam para a casa.&lt;br /&gt;E a casa &lt;span style="font-style: italic; font-weight: bold;"&gt;olhou de volta&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;Queixos caíam e olhos esbugalhavam enquanto a criatura-casebre, uma espécie de cruzamento entre polvo e casa de colmo, desenleava os tentáculos por cima da porta e abria passagem para o seu interior.&lt;br /&gt;Espera.&lt;br /&gt;Aquilo não é a porta.&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic; font-weight: bold;"&gt;É a boca do bicho&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ninguém se moveu dos seus sítios, tal era o arroubo anímico.&lt;br /&gt;Ninguém a não ser a Anna que, com um passo em falso, deu por si a falhar os limites do chapéu do cogumelo onde se encontrava e a estatelar-se de cara no castanho dos torrões três metros abaixo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A acalmia no semblante do velho deu lugar a uma terna impaciência. "&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Uf. Isto vai ser mais demorado do que eu esperava. Vocês ainda vão precisar de entranhar muita coisa. A começar pela vossa aparência.&lt;/span&gt;"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta última sentença fez soar os alarmes da incompreensão em cada um dos elementos do grupo, que ainda nem sequer tinham tomado o tempo para perceberem quem exactamente é que os rodeava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"&lt;span style="font-style: italic;"&gt;AAAAAAAAAAHHH!,&lt;/span&gt;" berrou o R2-D2 em aguçada voz, enquanto olhava horrorizado para o Pete.&lt;br /&gt;"&lt;span style="font-style: italic;"&gt;AAAAAAAAAAHHH!,&lt;/span&gt;" gritou a Player1331 na direcção do Pato, e imediatamente antes de cair para o lado a ressonar.&lt;br /&gt;"&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Aaaaaaaaaahhh?,&lt;/span&gt;" exclamou interrogativamente o ignoto vampiro, que se encontrava lado a lado com o varano do sorriso afável.&lt;br /&gt;"&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Aaaaaaaaaahhh,&lt;/span&gt;" assentiu a Cblues, enquanto colocava os óculos de sol.&lt;br /&gt;"&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Dude, curto bué da tua série, mas eu é mais o Las Vegas,&lt;/span&gt;" explanou a Mary com voz esgazeada.&lt;br /&gt;"&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Demis Roussos?,&lt;/span&gt;" indagou-se o Didelet, de atenção focada no R2-D2.&lt;br /&gt;"&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Esse também entra no CSI?,&lt;/span&gt;" respondeu de forma distraída a Mary.&lt;br /&gt;"&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Olha, o velhote tem um anão de jardim,&lt;/span&gt;" disse a Anna, após erguer o rosto da terra argilosa.&lt;br /&gt;"&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Anão de jardim é quem te fodeu a peida com uma verruma,&lt;/span&gt;" invectivou espumante o Pwfh.&lt;br /&gt;"&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Está fresquinho,&lt;/span&gt;" proferiu o Tiagu.&lt;br /&gt;"&lt;span style="font-style: italic;"&gt;AAAAAAAAAAAAAAAHHHHH!,&lt;/span&gt;" berraram quase todos em uníssono, quando fixaram o olhar no horror repulsivo da nudez do Tiagu.&lt;br /&gt;"&lt;span style="font-style: italic;"&gt;AAAAAAAAAAAAAAAHHHHH!,&lt;/span&gt;" berraram quase todos em uníssono, quando fixaram o olhar nas próprias mãos.&lt;br /&gt;"&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Decerto que o que está a acontecer deve ser deveras excitante, dado o volume dos bramidos dos que me rodeiam,&lt;/span&gt;" declamou em voz asperamente grave o O Man que, enquanto espelho, se limitava a estar assente no solo e virado para o céu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De braços tombados e de audível suspiro, o velhote virou costas e começou a estugar passo em direcção à choça cefalópode.&lt;br /&gt;"&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Bom, levem o vosso tempo. Já percebi que ainda estão "lá", e não "cá". Depois entrem. Eu explico tudo. Ah, e tragam aí o rapazinho, que ele não tem pernas para andar,&lt;/span&gt;" disse o velho, apontando uma mão renitente na direcção do O Man.&lt;br /&gt;"&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Alguém quer chá? Vou fazer chá.&lt;/span&gt;"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;O Narrador indaga&lt;/span&gt;:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que é que cada um de vós deseja fazer perante o cenário que se vos apresenta?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Submetam a vossa decisão por comentário ou, caso não pretendam dar a conhecer a vossa intenção a terceiros, submetam por &lt;span style="font-style: italic;"&gt;email&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;São livres de optar por não fazer nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para efeitos de intrigas e conspirações, submetam um &lt;span style="font-style: italic;"&gt;email&lt;/span&gt; para &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;contameumaestoria@gmail.com&lt;/span&gt;.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2958089694474135059-7290068616498136204?l=contameumaestoria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://contameumaestoria.blogspot.com/feeds/7290068616498136204/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2958089694474135059&amp;postID=7290068616498136204' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2958089694474135059/posts/default/7290068616498136204'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2958089694474135059/posts/default/7290068616498136204'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contameumaestoria.blogspot.com/2008/11/conta-me-uma-estria-captulo-i.html' title='Capítulo I: Todo um outro Mundo'/><author><name>grassa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08493210197622744344</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://2.bp.blogspot.com/_ENV-_G6l0DY/S7oLYC8pa0I/AAAAAAAAA3c/StA7r4ZFBLY/S220/baby_wild.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2958089694474135059.post-1878757785139144426</id><published>2008-11-18T19:43:00.000Z</published><updated>2010-08-11T15:30:08.733+01:00</updated><title type='text'>Conta-me uma estória: as espectaculares personagens</title><content type='html'>&lt;strong&gt;&lt;span style="font-weight: normal;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;strong&gt;A&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A primeira vez que se atenta no A, diverge-se nas impressões que se tiram.&lt;br /&gt;Uns vêem aquilo que o empirismo lhes dá na prática: um &lt;span style="font-style: italic;"&gt;smiley&lt;/span&gt;, de um metro de diâmetro, redondo, amarelo e que voa pairando acima do solo com o seu estampado e constante sorriso.&lt;br /&gt;Outros há que, de forma saudosista, relembram o velhinho Dot e ficam com vontade de adoptar o A.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outros, os "tais", vêem aquilo que o A realmente é: ironia com forma tomada.&lt;br /&gt;O A é, positivamente, o ser mais negativista do Universo e arredores e arredores dos arredores, o que, coadunado com o seu aspecto, é deveras espectacular.&lt;br /&gt;Infeliz e depressivo, conta, qual corifeu da calamidade, sempre com o pior.&lt;br /&gt;O próprio pior sente-se pior sempre que o A conta com ele.&lt;br /&gt;Consta até que o próprio Nietzsche disse, uma vez, ao seu grande amigo Dostoiévski "&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Quem, o A? Fo#&amp;amp;-se, tu não me convides esse gajo para o churrasco que ele deprime-me.&lt;/span&gt;"&lt;br /&gt;E o Dostoiévski não convidou.&lt;br /&gt;E no ano seguinte o A não lhe ofereceu prenda pelos anos que se f#&amp;amp;eu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esporádica e espectacularmente, o A gosta ainda de revelar os seus sérios problemas com a lógica e a razão de ser e de, nesses trâmites, se transformar numa televisão a preto e branco que passa reposições do Totobola.&lt;br /&gt;Também esporádica, e ainda mais espectacularmente, o A gosta de predizer o futuro, esse 1x2, como se fosse um programa do Totobola.&lt;br /&gt;O Totobola acaba, ao fim e ao cabo, de andar muito de mãos dadas com o A.&lt;br /&gt;Pois, afinal de contas, o que seria do Totobola sem o A? Um Totobol?&lt;br /&gt;Talvez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E dizem as boas línguas que os opostos atraem-se.&lt;br /&gt;Dizer, dizem, mas nada podia estar mais longe da verdade no que ao A concerne.&lt;br /&gt;É que o A encontra-se garantido e certificado na arte de conseguir atrair nada e afastar tudo.&lt;br /&gt;E todos.&lt;br /&gt;E tudo.&lt;br /&gt;E com um sorriso nos lábios.&lt;br /&gt;Mas só nos lábios, mesmo.&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;AD&lt;/strong&gt; &lt;strong&gt;&lt;span style="font-weight: normal;"&gt;(perfil submetido pela próprio)&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apreciador de medalhões de ouro, camisas de colarinhos pontiagudos e calças de boca-de-sino, ele é o homem que nenhum deus espera e que ninguém anseia conhecer.&lt;br /&gt;Ele é o homem do microfone nas feiras. Ele é o homem dos carrinhos de choque nas outras feiras. Ele conduz um Panda. Não um Fiat, um urso.&lt;br /&gt;Ele é o homem que não tem medo de desafiar convenções sociais. "&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Fisicamente imponente,&lt;/span&gt;" diz ele. "&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Raquítico,&lt;/span&gt;" diz a sociedade. "Sex symbol&lt;span style="font-style: italic;"&gt;,&lt;/span&gt;" avisa ele. "&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Eh pá, não...,&lt;/span&gt;" diz a sociedade.&lt;br /&gt;Ele é o homem que nega veementemente as acusações de bipolaridade, primeiro rindo-se delas e depois chorando compulsivamente por ninguém o entender.&lt;br /&gt;Ele é o homem que detém os poderes apenas sonhados pelos outros. Que poderes, perguntam vocês? Que tal o poder da locomoção a velocidades moderadamente baixas? Correr, dizem uns. Passo estugado, dizem outros. Poderes, diz ele.&lt;br /&gt;Ele é o Zorro da espada partida, o Batman da capa desbotada e rota, o Super-Homem anémico.&lt;br /&gt;Ele é o pior pesadelo das pessoas que têm pesadelos muito fraquinhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-weight: normal;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Anatcat&lt;/span&gt; (perfil submetido pela própria)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: normal;"&gt;Anatcat é assim uma espécie de Gato das Botas, mas no feminino.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: normal;"&gt;Isto, claro está, no Inverno.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: normal;"&gt;No Verão, é mais &lt;span style="font-style: italic;"&gt;cat&lt;/span&gt; de sandaloca de salto alto.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: normal;"&gt;Como todo o bom felino, adora natas, sendo essa toda a sua razão de viver - um pires de natas.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: normal;"&gt;Isso ou Whiskas saquetas.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: normal;"&gt;Gosta de dançar salsa e tango argentino.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: normal;"&gt;Nos intervalos das sestas, ouve Metallica ou transforma-se na Madonna e dá concertos aparatosos com montes de bailarinos para 100.000 pessoas, em &lt;span style="font-style: italic;"&gt;playback&lt;/span&gt;,&lt;/span&gt;&lt;span style="font-weight: normal;"&gt; já que mia bem mas desafina como gente grande.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: normal;"&gt;É muito querida porque tem muito mau feitio.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: normal;"&gt;Faz &lt;span style="font-style: italic;"&gt;ffffssss&lt;/span&gt; e ronrona, tudo ao mesmo tempo.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: normal;"&gt;A cor da pelagem é um tipo de dourado mesclado, mas quando quer consegue imitar outros gatos - pode ficar daqueles tigrados ou daqueles a preto e branco.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: normal;"&gt;Sendo ela própria uma "super-heroína" é, também, e na verdade, o animal de estimação perfeito para qualquer outro "super-herói".&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: normal;"&gt;Isto porque os gatos é que são os donos dos seus próprios donos, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;n'est-ce pas&lt;/span&gt;?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Anna&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Anna é o contrasenso do comum estereótipo da tipa boa: é boa &lt;strong&gt;e&lt;/strong&gt; é inteligente.&lt;br /&gt;Pelo menos, é isso que ela apregoa à boca cheia (entre outras coisas à boca cheia) lá do alto do seu metro e meio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para além do espectacular facto de ter um par de énes no meio do nome, a Anna manifesta, no seu seio, outros espectaculares pares de atributos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entre estes, contam-se os seus inúmeros problemas de identidade, problemas como: não saber exactamente quem é; ou saber exactamente quem é; ou julgar saber exactamente quem é; ou não julgar saber exactamente quem é sabendo de antemão que sabe quem é no pequeno pormenor de não saber exactamente quem é.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outros atributos da Anna com dois énes incluem:&lt;br /&gt;- a espectacular capacidade de fazer parar o trânsito, especialmente se estiver sinal vermelho para os carros;&lt;br /&gt;- a espectacular habilitação de deixar um homem boquiaberto, em particular após um chuto nas partes baixas deste;&lt;br /&gt;- a espectacular propensão para um andar curvilíneo e sensual, em especial para os adeptos da cinesioterapia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há mulheres que nascem para se formarem autênticos aviões.&lt;br /&gt;No caso da Anna, calhou-lhe o Boeing.&lt;br /&gt;747.&lt;br /&gt;De largo compartimento de carga.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Cblues&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Existem homens que nascem no corpo de uma mulher.&lt;br /&gt;Existem mulheres que nascem no corpo de homens.&lt;br /&gt;E depois há a Cblues, uma mulher que nasceu no corpo de um Horatio Caine.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os Horatio Caines, para quem não sabe, são mamíferos bípedes que habitam no planeta CSI: Miami.&lt;br /&gt;São normalmente identificáveis por ritos comportamentais como o estarem constantemente a tirar e a pôr os óculos de sol, o colocarem-se de lado quando estão a falar com uma pessoa, o espreitarem por cima do ombro quando estão a finalizar uma sentença e, aquele que é considerado o mais importante de todos os ritos, o fitarem o horizonte enquanto colocam os óculos de sol, dizem uma frase-chave e se põem a andar dali para fora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para além de uma mui &lt;em&gt;sui generis&lt;/em&gt; forma de transsexualismo, a Cblues revela capacidades que um normalíssimo Horatio Caine não possui.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Capacidades como o dom da representação, por exemplo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ou como um idiossincrásico controlo sobre a mente - idiossincrásico no sentido de o controlo sobre a mente da outra individualidade só ser efectivo se a outra individualidade for intelectualmente fraca como, digamos, um benfiquista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ou como o seu bojo para constatar o óbvio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ou ainda como a capacidade de possuir capacidades.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E isso é espectacular.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Didelet&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No que trata a embrulhar personalidades numa salsada de uma pessoa só, o Didelet encontra-se no patamar cimeiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com a aparência física de um Pai Natal em roupagens informais, a calma e a sensatez de um Gandhi sob o efeito de bebidas alcalóides, o discurso articulado de um Yoda disléxico e o carisma de uma Barbra Streisand, quase que não sobra espaço para a sobremesa neste banquete de múltiplas facetas: a esquizofrenia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas não uma esquizofrenia qualquer!&lt;br /&gt;Psicoses qualquer pessoa pode ter.&lt;br /&gt;E este menino foi muito mais selectivo na forma como elegeu se dissociar psiquicamente da realidade.&lt;br /&gt;Este menino optou por sofrer patologicamente de uma psicopatia de natureza gramatical.&lt;br /&gt;A este menino, a única que lhe faz saltar a mola é a referência a palavras homónimas.&lt;br /&gt;Ou seja, muito cuidadinho com o sentido ambíguo dos vossos vocábulos na presença do Didelet.&lt;br /&gt;É que toda e qualquer alusão dessa natureza pode levar este menino a entrar num frenesi assassino e indiscriminado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que é extremamente fofinho.&lt;br /&gt;E espectacular.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Drake&lt;/strong&gt; &lt;strong&gt;&lt;span style="font-weight: normal;"&gt;(perfil submetido pela próprio)&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rápido.&lt;br /&gt;Furtivo.&lt;br /&gt;Fresco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem conhece Drake conhece o seu potencial como assassino. Isso e o cheirinho a menta que ele deixa no hálito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Proveniente de uma longa linhagem de rebuçados assassinos, Drake é um mestre na arte do sufoco (quem já não ficou com uma drageia entalada no goto?) e da cegueira (levar com um rebuçado no olho também não tem nada de positivo). Para além disso, Drake é especialista em higiene oral e não tolera mau hálito em seu redor, saltando direito aos lábios de quem seja, entrando na sua boca de modo a refrescá-la o mais rápido possível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para além do seu historial como assassino, Drake tem em si algo de “cavaleiresco”. Tem um grande sentido de honra, que nem um paladino, e também a devida falta de cuidado quando é necessário eliminar qualquer tipo de ameaça do mal. Assim, catapulta-se direito aos seus inimigos, qual pulga irrequieta, sem qualquer receio pelo seu tamanho e sem olhar a consequências.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Mary Birth&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Falhada.&lt;br /&gt;Insegura.&lt;br /&gt;Manhosa.&lt;br /&gt;Reservada.&lt;br /&gt;Viciada em tudo o que possa ser considerado droga.&lt;br /&gt;Com uma peculiar inclinação para andar sempre descalça.&lt;br /&gt;Com um condão para a dança igual à de um cabeçudo do Carnaval de Torres Vedras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E ainda estamos na lista das qualidades da Mary.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muitos há que consideram a Mary disfuncional.&lt;br /&gt;Dizer que a Mary é disfuncional é o mesmo que dizer que o Cláudio Ramos é verde.&lt;br /&gt;Ou que a relva é &lt;em&gt;gay&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;Ou algo desse género.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E como se já não bastassem todas aquelas particularidades acima mencionadas, a Mary, esse caco humano, ainda sofre de síndrome de Tourette.&lt;br /&gt;Este último é assim uma espécie de cereja funesta no topo de um bolo de excentricidades problemáticas.&lt;br /&gt;Ou, como a própria Mary diria, "&lt;em&gt;Foda-se merda cona!&lt;/em&gt;".&lt;br /&gt;Nem mais, Mary.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Nojento&lt;/span&gt; (perfil submetido pelo próprio)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um frango depenado e sem cabeça pode ser o alter-ego da minha personagem, algo em que me transformo sempre que vejo uma rapariga coxa (a minha perdição), mas com o detalhe de que o aparecimento deste meu alter-ego deve ser acompanhado com o som típico de um frango neste estado a bater no mármore da bancada do talhante do "Delicatessen"... um &lt;span style="font-style: italic;"&gt;shláppp&lt;/span&gt; nojento.&lt;br /&gt;Na minha "vida normal", era um operador de empilhador que sonhava um dia usar gravata e ter o seu escritóriozinho de 3,5 metros quadrados, isto até perder o emprego para um ucraniano vesgo "altamente qualificado" que se fala que lá nas Rússias era engenheiro de frio, mas que eu sei que, na verdade, estava desde os 17 anos na Serra Leoa a executar trabalhinhos sujos de mercenário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O Man&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Man é um espelho que se chama "O Man".&lt;br /&gt;Ou seja, é quase tão espectacular como um homem que se chame "O Mirror".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isto, pelo menos, numa primeira análise.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É que atenção: O Man não é um espelho qualquer.&lt;br /&gt;Mais do que uma mera superfície polida encastrada em mogno, O Man é, à boa imagem de um conto fantasista muito conhecido, um espelho que fala.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E atenção: O Man não é um espelho que fala qualquer.&lt;br /&gt;Mais do que uma mera superfície polida encastrada em mogno que fala, O Man é, à boa imagem de um filme fantasista com recurso a paus Jedi, um espelho que fala com a voz grave e irrevogável do Darth Vader.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E ainda mais atenção: O Man não é um espelho que fala com a voz do Darth Vader qualquer.&lt;br /&gt;Mais do que uma mera superfície polida encastrada em mogno que fala com a voz do Darth Vader, O Man é, à boa imagem de uma realidade portuguesa fantasista, um espelho que fala com a voz grave e irrevogável do Darth Vader e que tem, como alter-ego, o nosso pretérito Ministro das Finanças e da Administração Pública, Bagão Félix.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ou seja, venham de lá todos e quaisquer homens que se chamem "O Mirror".&lt;br /&gt;O Man é mais espectacular que qualquer um deles.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Pato&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando se pensa em patos, qual é a primeira coisa que salta à memória?&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;Exacto: vampiros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Neste caso, um vampiro verdadeiramente peculiar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Pato é um vampiro que quebra toda a lógica associada aos vampiros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para começar, o Pato é vegetariano: a carne causa-lhe náuseas e o sangue fá-lo desmaiar.&lt;br /&gt;A sua iguaria favorita é a sopa de alho, e não poucas são as vezes em que é apanhado a fincar os caninos no tronco de um belo de um carvalho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois, tem medo do escuro: adora, inclusive, um bom banho de sol.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois, e já no campo da personalidade, padece de um extremo egocentrismo e de uma irresoluta pertinácia, o que associado à sua memória de curto prazo pode tornar uma conversa com ele muito, mas mesmo muito exasperante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A sua melhor e única amiga é uma ameba de cerca de dez centímetros que transporta consigo no bolso para todo o lado.&lt;br /&gt;Esta ameba dispõe de uma particularidade ímpar: sempre que tosse ou espirra, ela cospe objectos aleatórios, objectos esses que podem ir de um simples botão a uma complexa bomba de longo alcance e com o temporizador nos dez segundos e a contar.&lt;br /&gt;E, para mal dos seus pecados, a ameba aparenta estar ininterruptamente constipada sempre que se encontra fora do âmbito quente e reconfortante do bolso do seu dono.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ou seja, no seu cômputo geral, o Pato é espectacularmente peculiar.&lt;br /&gt;Ou peculiarmente espectacular.&lt;br /&gt;Não sei.&lt;br /&gt;Fica ao vosso critério.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Pete&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;À primeira cheirada, o Pete é apenas mais um árabe a quem cuja religião proíbe estritamente o asseio e a higiene pessoal.&lt;br /&gt;À primeira vista, o Pete aparenta ser não um cadáver vivificado e já meio carcomido, mas sim apenas mais um árabe com mau aspecto.&lt;br /&gt;À primeira lambidela, o Pete revela ter uma gustação em tudo semelhante ao paladar do suor dos tomates de um camelo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o Pete é muito mais do que isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para aqueles que conseguem ir além do seu odor corporal, do seu aspecto e do seu sabor, o Pete revela austeridade e pose poética.&lt;br /&gt;E para aqueles que conseguem ir à Wikipédia e pesquisar "Ahmad Shah Massoud", contemplarão que a sua figura vermiculada tem em tudo a semelhança física com o antigo Leão de Panjshir.&lt;br /&gt;Nas suas palavras - ou, pelo menos, no som arranhado que emana da sua faringe lacerada - reverbera não só o fulgor incitante de um ingénito líder militar, como também a incisiva distinção de uma crítica a algo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim, o Pete é um zombie afegão com pinta de pseudo-intelectual.&lt;br /&gt;Mas é um zombie afegão com pinta de pseudo-intelectual que usa um pakul, o que o torna absolutamente espectacular.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Player1331&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Descendente legítima de uma longa linhagem de 1330 narcolépticos com psicoses profundas, a Player1331 herda dos seus antecessores a mágica e antiga arte de... dormir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Versada nos actos de ressonar, babar a almofada, rilhar o dente e ter sérios problemas em acordar de manhã, a Player1331 é a verdadeira mestre do não fazer nenhum.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só está bem quando está a dormir, e quando não está a dormir está constantemente cheia de sono.&lt;br /&gt;E quando está constantemente cheia de sono, não consegue andar em frente (o seu mecanismo autónomo de locomoção é uma autêntica homenagem ao caranguejo).&lt;br /&gt;E quando não consegue andar em frente, rabuja por tudo e por nada.&lt;br /&gt;E quando rabuja por tudo e por nada, depaupera-se muito rapidamente.&lt;br /&gt;E quando se depaupera muito rapidamente, acaba por adormecer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E como se este ciclo vicioso não fosse já o suficiente para intrincar a sua existência e a existência de quem a rodeia, a Player1331 enferma-se ainda com uma extraordinária (e não espectacular, como se pudesse pensar) esquizofrenia.&lt;br /&gt;Se bem que a Player1331 prefere dirigir-se à sua esquizofrenia como "&lt;em&gt;um montes de problemas mentais graves&lt;/em&gt;".&lt;br /&gt;É que assim soa muito menos sério, e muito mais estouvado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E toda a gente sabe que tudo o que é estouvado, isso sim, é que é espectacular.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Pwfh&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Pwfh julga que é o maior, o que, para anão, é, já de si, uma ambição para a vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dizerem ao Pwfh que ele é apenas um sósia em ponto pequeno do Steven Seagal é fazer pouco dele.&lt;br /&gt;Será, até e quiçá, o suficiente para o apanharem a morder-vos as canelas e a fazer &lt;em&gt;roundhouse kicks&lt;/em&gt; aos vossos tornozelos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em boa verdade, as espectaculares particularidades do Pwfh falam por si.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O espectacular facto de ser intempestivo, inoportuno, inopinado, inusitado, intrasado mental e muitas outras coisas começadas por "in" dá a conhecer uma infinita e multifacetada capacidade para arranjar problemas onde os problemas menos o esperam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A sua espectacular idoneidade para conseguir representar a mesma expressão facial de mil e uma formas diferentes revela-se um precioso trunfo no combate às rugas, conseguindo assim partir de uma guerra acesa de palavras para um debate animado sem criar um único refego na pele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O seu espectacular manancial de artes marciais dá a possibilidade aos seus oponentes de um dia poderem dizer aos seus netos que "&lt;em&gt;o avô já partiu a boca a um tipo que sabe karaté&lt;/em&gt;", ou "&lt;em&gt;o avô já partiu a boca a um tipo que sabe kendo&lt;/em&gt;", ou ainda "&lt;em&gt;o avô já partiu a boca a um tipo que sabe aikido&lt;/em&gt;".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o mais importante e espectacular a reter sobre o Pwfh é o seguinte: a fonética do seu nome.&lt;br /&gt;Dizer "Pwfh" ou deixar cair meio quilo de banha de porco no chão produz o mesmo som.&lt;br /&gt;E isso é deveras espectacular.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um último facto a reter sobre o Pwfh: o seu sério problema de flatulência.&lt;br /&gt;Alturas hão-de haver em que se vão apanhar a vocês mesmos a dizer que há algo no Pwfh que cheira mesmo muito mal.&lt;br /&gt;Nessas alturas, o mais provável é estarem certos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;R2-D2&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como uma cópia chapada do Demis Roussos, o R2-D2 apresenta-se como a prova viva de que é possível um homem vestir-se com carpetes, usar botas de cores brilhantes e ofensivas, cantar e falar com voz de falsete, usar meia Amazónia peitoral orgulhosamente de fora e sentir-se bem com tudo isso sem ser com recurso a drogas pesadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E aparentemente a esquizofrenia estava em saldos, pois o R2-D2 é a terceira personagem do grupo a padecer deste tipo de psicose.&lt;br /&gt;Neste caso, uma aguda inclinação para assumir, por vezes, exactamente metade das vezes, o ego do Eládio Clímaco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No seu todo, uma esquizofrenia numericamente muito certinha.&lt;br /&gt;E muito Jogos sem Fronteirástica.&lt;br /&gt;E muito Festival Eurovisão da Cançãozística.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pontuação: R2-D2, doze pontos.&lt;br /&gt;R2-D2, &lt;em&gt;twelve points&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;R2-D2, &lt;em&gt;douze points&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Tiagu Grilu&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Tiagu é algo de espectacularmente metafísico.&lt;br /&gt;Ou seja, o Tiagu consegue agregar num mesmo ser dois conceitos completamente impossíveis de concatenar: o conceito "Paula Bobone" e o conceito "toda nua".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como é que o Universo não implode com a conjugação dos dois, isso é algo que nem mesmo o próprio Moita Flores consegue explicar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para além de uma natural apetência para sufixar todos os seus nomes com a vogal "u", o Tiago manifesta ainda outra natural apetência: o de ser naturalmente parvo.&lt;br /&gt;Senão, de que outra forma se explica que um homem adulto e formado deseje ser a Paula Bobone toda nua numa jigajoga de quimeras?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De qualquer forma, o Tiagu acaba por ser o único elemento do grupo que evidencia um claro super-poder: o poder de criar em quem o vê na sua pele de Paula Bobone de carnes ao léu o exacerbado desejo de ter nascido cego.&lt;br /&gt;E isso é espectacular.&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2958089694474135059-1878757785139144426?l=contameumaestoria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://contameumaestoria.blogspot.com/feeds/1878757785139144426/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2958089694474135059&amp;postID=1878757785139144426' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2958089694474135059/posts/default/1878757785139144426'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2958089694474135059/posts/default/1878757785139144426'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contameumaestoria.blogspot.com/2008/11/conta-me-uma-estria-as-espectaculares.html' title='Conta-me uma estória: as espectaculares personagens'/><author><name>grassa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08493210197622744344</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://2.bp.blogspot.com/_ENV-_G6l0DY/S7oLYC8pa0I/AAAAAAAAA3c/StA7r4ZFBLY/S220/baby_wild.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2958089694474135059.post-1074042608505523674</id><published>2008-11-18T19:41:00.000Z</published><updated>2008-11-18T19:45:38.059Z</updated><title type='text'>Conta-me uma estória: o esboço da ideia</title><content type='html'>&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;Jovens, vocês são leitores assíduos aqui do botequim?&lt;br /&gt;Gostam de aventura e de um bom desafio?&lt;br /&gt;Então o autor deste &lt;span style="font-style: italic;"&gt;blog&lt;/span&gt; tem uma proposta para vossemecês: &lt;span style="font-style: italic;"&gt;storytelling&lt;/span&gt; via &lt;span style="font-style: italic;"&gt;blog&lt;/span&gt;!&lt;br /&gt;"&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Storytelling?&lt;/span&gt;", perguntam vocês?&lt;br /&gt;"&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Storytelling!&lt;/span&gt;", respondemos nós!&lt;br /&gt;Uma maravilhosa fábula que se vai engendrando ao sabor dos caprichos das personagens.&lt;br /&gt;E onde as personagens são &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;vocês&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Basicamente, no final de cada &lt;span style="font-style: italic;"&gt;post&lt;/span&gt; / parte da história engenhada as vossas personagens serão postas à prova e ser-vos-à solicitada uma decisão, opção ou acção.&lt;br /&gt;E podem decidir, optar ou agir como desejarem.&lt;br /&gt;Sem qualquer restrição.&lt;br /&gt;Onde o único limite seja a vossa imaginação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As vossas personagens serão, de igual forma, o que vocês desejarem ser.&lt;br /&gt;Querem ser um gigante com narcolepsia? Seja!&lt;br /&gt;Um golem cleptomaníaco? Seja!&lt;br /&gt;Um pedaço de queijo? Duas ovelhas? Um olho em chamas? Seja!&lt;br /&gt;Podem desenhar a personagem como bem entenderem.&lt;br /&gt;Podem, até, e se assim o entenderem, dizer que a vossa única exigência seja que a personagem seja verde.&lt;br /&gt;O critério é todo vosso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E se alguém quiser entrar a meio do conto, pode fazê-lo!&lt;br /&gt;Se alguém quiser sair a meio, pode fazê-lo!&lt;br /&gt;Se alguém quiser mudar de personagem a meio, pode fazê-lo! Basta para o efeito dar a conhecer essa vontade por &lt;span style="font-style: italic;"&gt;email&lt;/span&gt; (submetam a vossa vontade para o &lt;span style="font-style: italic;"&gt;email&lt;/span&gt; &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;contameumaestoria@gmail.com&lt;/span&gt;) e mencionar os trâmites da vossa nova personagem.&lt;br /&gt;O autor do &lt;span style="font-style: italic;"&gt;blog&lt;/span&gt; tratará do resto!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Atenção: é possível que venha a existir um número limitado de inscrições.&lt;br /&gt;Tudo dependerá do número de interessados, por isso apressem-se a reservar desde já o vosso lugar!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na história, e após reunidas todas as opções de todos os envolvidos, o autor do &lt;span style="font-style: italic;"&gt;blog&lt;/span&gt; recolherá aos seus aposentos e congeminará, com base naquilo que lhe foi dado por vocês, o próximo capítulo e a vossa próxima provação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As decisões de cada um dos envolvidos deverão ser dadas a conhecer por comentário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para efeitos de intrigas, conspirações ou, enfim, algo que se queira oculto de terceiros até determinada altura da história e que não se queira logo ser dado a conhecer publicamente, submetam um &lt;span style="font-style: italic;"&gt;email&lt;/span&gt; para a conta de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;email&lt;/span&gt; mencionada acima.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aguardamos as vossas respostas!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2958089694474135059-1074042608505523674?l=contameumaestoria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://contameumaestoria.blogspot.com/feeds/1074042608505523674/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2958089694474135059&amp;postID=1074042608505523674' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2958089694474135059/posts/default/1074042608505523674'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2958089694474135059/posts/default/1074042608505523674'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contameumaestoria.blogspot.com/2008/11/conta-me-uma-estria-o-esboo-da-ideia.html' title='Conta-me uma estória: o esboço da ideia'/><author><name>grassa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08493210197622744344</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://2.bp.blogspot.com/_ENV-_G6l0DY/S7oLYC8pa0I/AAAAAAAAA3c/StA7r4ZFBLY/S220/baby_wild.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
