quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Capítulo III: Cada pergunta pressupõe a ausência da sua resposta



Em alguns Universos, o desconhecido que gostaria de ser conhecido tende a manifestar-se sobre a forma de dúvidas.
Universos há, ainda, onde esse tipo de desconhecido gosta, assim à laia da rebeldia, de se revelar sobre a forma de contestações em objecção a algo.
Neste Universo, o Universo desta estória, esse tipo de desconhecido apresenta-se sobre a forma de questões.

"Eu tenho uma questão," pronunciou a Anna.
"Eu tenho duas," elevou a Cblues.
"Eu tenho vinte. Aqui," enfatizou o Pwfh, enquanto esboçava um abrir de braguilha.
"Bingo!," exclamou inconscientemente a Mary lá do seu recanto.

"Calma, pessoal. Proponho calma. Proponho que façamos isto de um modo ordeiro," sugeriu o velho. "Vamos começar por uma das pontas e prosseguir por aí adiante. Assim, cada um de vocês poderá, no seu próprio tempo, colocar as questões que desejar."

Calma e ordem.
Dois conceitos que, no psicadélico mundo do Pwfh, são tão reais e fazem tanto sentido como dois relógios a perguntarem as horas um ao outro.
O anão encontrava-se ainda rabuja e malcheirosamente encalacrado no sofá, bem como visivelmente perturbado com todo o cenário no qual se encontrava colocado.
Um turbilhão de gases subia-lhe ao cérebro. O que é que o Steve Seagal faria nesta situação? Porque vim eu aqui parar? Quem é esta escumalha? Será que o velho está a fazer por eu lhe rebentar o focinho? Isto ainda vai dar em bacanal?
Apressado em sacar algumas respostas ao ancião sobre o que o esperava ao longo do caminho que teria de, aparentemente, trilhar com esta escória, e mais a cuspir as palavras do que propriamente a declará-las, o Pwfh lá perguntou: "É preciso partir a boca a alguém?"
"Bom, é bem provável que venham a precisar de o fazer. Aqui, comigo, vocês estão em segurança, mas aviso-vos desde já que aquilo lá fora consegue ser, por vezes, bastante inóspito. Vão precisar de um forte espírito de grupo para conseguirem sobreviver. Mais alguma coisa?"
O anão soltou uma esgarçada ventosidade anal.
Toda a gente entendeu aquilo como um "não".

"Eu, eu! Agora eu!," sublevava-se, de dedo no ar, a Anna.
"Calma, Anna. Há-de chegar a tua vez. Agora, vamos dar a oportunidade à Player1331 de manifestar as suas vacilações. Diz de tua justiça, querida."
"Tenho várias questões. Primeiro que tudo, a bióloga em mim gostaria de saber se, por acaso, o Bivaldi se mexe," indagou a Player1331.
"Ele tem a capacidade de se apresentar em sítios diversos, sim, mas não é tanto o Bivaldi que se movimenta pelo solo. É mais o solo que se movimenta por debaixo do Bivaldi," assertou o ancião de sorriso aberto. "É deveras complicado de explicar. Por palavras, pelo menos, percebes?"
"Percebo, percebo," replicou, sem perceber, a Player1331. "Hum... bom, que mais? Ah: o Verni não terá por aí umas capsulazinhas de cafeína ou algo do género para o caminho, que é para me ajudar a andar sem estar constantemente cambaia e a tombar para o lado? E um espelho pequeno, para ver por onde vou andando? É que esta coisa de andar de lado é muito gira, mas é muito propícia a torcicolos. Ah, e o Tiagu tem mesmo de andar... assim?," depôs a Player1331, enquanto desenhava no ar um círculo em volta da figura desnuda do Tiagu. "Não se pode vestir, como as pessoas normais? E se formos ter com o tal que grassa saber tudo, conseguiremos ir ter na mesma ao ponto de "envio"? E como vamos reconhecer O tal que grassa saber tudo? E como e quanto tempo demora a chegar a ele? E provisões? É preciso levar provisões? E o Cordon, sabe fazer panquecas? Será que ele pode arranjar umas quantas para o caminho? E, por fim: o Verni não terá por aí uma musiquinha, não? Uma sonoridadezinha ambiente? Algo levezinho e que seja do agrado de todos?"

"Queres música? Com certeza," declarou o Pwfh, imediatamente antes de soltar excrementalmente os primeiros segundos do primeiro movimento da Cantata 140 de Bach em prrrrrrrrack! bemol.
Verni fixou o olhar no Pwfh e, aos olhos do anão, as pregas enfurecidamente engelhadas na testa do velho pareceram encher por completo a sala onde se encontravam.
O anão optou, sem prévia consulta do livre-arbítrio, interromper a ária ali mesmo antes da entrada do coro gregoriano, o que, para quem gosta de coros gregorianos, acabaria por se revelar uma pena.
O velho aplanou a testa e revolveu a sua atenção de volta à Player1331.
"És cheia de pontos de interrogação nessa cabeça, não és, minha querida? A ver vamos se pelo menos esses ficam transformados em pontos finais. Bom... sabes, adormeceres de modo recorrente é, infelizmente, algo que faz parte da tua nova natureza. Nada que eu te possa fornecer contornará esse facto. Basicamente, és imune a toda e qualquer substância alcalóide. O que tens de fazer é aprender a utilizar essa tua suposta "desvantagem" em teu proveito. E queres um espelho pequeno? Ora, com um espelho tão grande e jeitoso mesmo aqui à mão," expôs o velho, enquanto desenrolava um dedo na direcção d'O Man. "E não, o Tiagu não se pode vestir. Tal como tu e a tua imunidade para com as cafeínas e as nicotinas e outros agentes quejandos, o Tiagu é imune a roupas. Toda e qualquer tentativa de o tapar sairá frustrada. Ah, e o que te garante que aquele para quem vos encaminho e o ponto de "envio" não se encontram num mesmo destino traçado? Acredito que ambos os objectos se encontram num mesmo desígnio: o vosso. E não será nada complicado reconhecer aquele para quem eu vos dirijo. Vocês saberão que ele é quem ele é assim que o contemplarem. Já o como e o tempo que leva a chegar a ele, isso, dependerá de vocês e dos obstáculos que encontrarem na vossa jornada. Não te consigo estimar severamente um período, minha querida. O tempo, ao contrário do espaço, não é algo de facilmente conjecturável. Posso - e vou - é gizar-vos uma rota. Quando estivermos lá fora. E não te preocupes com vitualhas: o Cordon já tomou a liberdade de vos acondicionar com porções mais do que suficientes para se aguentarem à larga durante uma estação inteira. E Cordon. Cordon!," bradou o ancião na direcção do corredor. "Ouviste a menina. Prepara-lhes uma panquecas."
Dos confins da passagem, das entranhas da cozinha, veio uma ruminância em sinal de aprovação ao pedido do ancião.
"E queres música, querida? Bom, realmente eu poderia fornecê-la, mas não pretendo ofender os vossos trovadores de serviço," apontou o velho de olhos agora postos na Anatcat e no R2-D2. "Recomendo é que seja o R2-D2 a fornecer a melodia ambiente. O cantar da Anatcat tem... particularidades que convém que sejam exploradas em local mais espaçoso."
"Eu só sei o "Zorba, o Grego"," retrucou o R2-D2 imediatamente antes de dar o clique para Eládio Clímaco e de começar a perguntar ao Tiagu o que este tinha achado da prestação da equipa dos Açores na prova da roda do Nabão.

Ignorando por completo o conceito de timing e, por arrasto, deixando o conceito de timing ligeiramente mais deprimido por ninguém lhe ligar nenhuma, a Anna interpôs: "Porventura o senhor velho não terá por aí vestuário que faça jus à minha pessoa, não? É que pode haver quem ache de mau tom eu andar por aqui a escorrer charme só com esta toalha no corpinho."
Todos olharam para o que escorria de Anna e formava já diversas poças no soalho da sala.
Não era charme.
"Anna," chamou a Cblues.
Anna respondeu com um olhar fugidio.
"Shiu," ponto finalizou a Cblues com um indicador sobre o nariz.
Anna arregalou ligeiramente os olhos e deixou-se afundar um pouco mais no conchego do seu maple, tudo isto enquanto experimentava uma nova sensação: a de estar calada.
"Obrigado, Cblues. Mais uma interrupção e acho que eu próprio teria tomado essa atitude. Bom, segue-se o Pato. O que partilhas tu, meu caro?"
"Hein?," soltou inconscientemente um Pato que se encontrava a navegar na espessa camada de egolatria na sua cabeça.
"Presumo que tenhas questões que queiras ver respondidas," repetiu, por outras palavras, o ancião.
"Questões? Nem por isso. Embora sim, algumas. Mas antes disso, não tem aí nada para o meu amiguinho aqui comer?," indagou o Pato enquanto extraía, do bolso interno do jaquetão, algo em tudo semelhante a uma ameba.

Quase que instintivamente, e num uníssono claramente a precisar de fisiopatia, todo o grupo esboçou um movimento de aperto de cerco em volta da mão do Pato e da singular criatura.
"Oh. É fofinho. De um ponto de vista pegajoso," acrescentou o Nojento. "Posso fazer-lhe uma fes-".
Sem aviso, e fruto da constipação menos ecológica de que há memória, a ameba espirrou e cuspiu um armário de cozinha que, com uma pesada queda, só não esmagou um pé ao Nojento porque quis o Destino que o espaço não tivesse tempo de permitir que ambas as coisas se pudessem conjugar num mesmo ponto.
O Nojento lançou para os poucos centímetros que separavam os seus membros inferiores do armário aquele distinto e horrorizado olhar de quem está a imaginar o que teria acontecido tivesse ele os pés ligeiramente maiores.
"Sabes, eu até pedia ao Cordon para trazer uns poucos petiscos, mas acho que aí o teu amigo acabou de regurgitar a sua própria refeição."
Com um quase inaudível "Hum", o Pato abriu uma das portinholas da recém-improvisada despensa, tudo e apenas para soltar um segundo quase inaudível "Hum". Com um gesto merecedor do Prémio Nobel da falta de agilidade, o Pato devolveu o pequeno ser amebóide ao seu bolso de estimação, retirou do receptáculo uma lata de atum, abriu-a e colocou-a, com toda a mestria e habilidade, dentro do bolso e a escorrer óleo vegetal pela camisa e pelas pernas das calças afora.
"Ele adora atum." Uma pequena, fria e ligeiramente desconfortável pausa. "Não me perguntem como é que eu sei isso."

"E relativamente a dúvidas?," insistiu Verni.
"Dúvidas?"
"Sim. As tuas dúvidas."
"Eu tenho dúvidas?"
"Deste a entender que sim, sim."
"Dei? Hum. Tenho dúvidas relativamente a isso."
"Eu sei que sim, mas não são essas as dúvidas que agora interessam. São as outras dúvidas."
"Quais dúvidas?"
"As outras. Aquelas que tu..." Verni calou-se, suspirou de cansaço e estalou os dedos. "Essas dúvidas."
"Aaah, estas dúvidas! Caramba, que já podia ter dito há mais tempo! Bom, então o que eu gostaria de saber é se o Verni tem alguma veneta por música clássica e se Omell e Uasou já compuseram alguma obra. Ah, e já agora: tem a certeza que eu desejava ser "isto"?," perguntou o Pato, acompanhando o seu remoque com ingredientes de dúvida suficientes para fazer uma sopa de escárnio e incredulidade.
Para surpresa de ninguém, o ancião ensejou o seu já habitual sorriso antes de iniciar a sua resposta. "Presumo que te inquiras dos meus gostos musicais pela similaridade do meu nome para com o vosso Verdi. De facto, aprecio imenso música clássica, ou aquilo que vocês apelidam de música clássica, mas o meu nome em nada se encontra relacionado com essa trivialidade. Nem o meu nome nem os nomes de Omell e Uasou. Os nossos nomes já estavam escolhidos muito antes da nossa existência. Nós apenas lhes fornecemos um corpo e um sentido. E existe a certeza absoluta de que tu desejavas ser "isso". Não sou eu que o digo: é todo o teu ser. E não sou que o dito: são as leis pelas quais este domínio sempre se regeu."
O Pato ficou a olhar para o velho como se este tivesse acabado de comer alarvemente um bitoque e metade do bife estivesse desajeitadamente pendurado da sua barba.
"Hã?," soltou o vampiro por fim.
"Não percebeste, mas também não te preocupes: daqui a uns segundos vais ser chamado de volta pelo teu egocentrismo e nem te vais lembrar que estivemos a falar. E Anna, o que é que julgas que estás a fazer?"

Olhos recaíram na curvilínea rapariga, que sorrateiramente se encontrava a tentar espreitar para o interior do bolso do Pato onde se encontrava a ameba.
"Eu, hum... estava curiosa."
"Tu não consegues mesmo estar sossegada, pois não?"
"Eu-"
"Não respondas. Não precisas de responder. Em vez disso, faz-nos um favor e segue ali o Cordon."
Especado sem sobreaviso à entrada do salão, estava o paquidérmico mordomo. Tanto o avental envergado pelo seu avantajado perímetro, como a panquequeira na sua pata direita, como o seu ar de eterno desagrado indicavam que alguém lhe tinha estragado o seu momento de frete culinário.
"Ele tratará de te encaminhar para o quarto dos fundos. Lá, terás, nos armários e gavetas, toda uma parafernália de roupagens à tua medida. Escolhe donairosamente o que te aprouv... Anna? Onde é que ela se meteu?"
"A modos que assim que você pronunciou a última sílaba da palavra "roupagens", já ela tinha saído disparada da sala," atentou a Cblues, antes de, e com um movimento de pescoço capaz de partir vértebras só de se olhar, alinhar o seu campo de visão com o do ancião.
"Hum. Melhor assim, então."
"Melhor assim."
"Questões?"
"Duas."
"Dispara."
"Indo directa ao que interessa." Pausa para colocar os óculos de sol. "Que plano é este?" Pausa para tirar os óculos de sol. "E onde é que fica esse tal ponto de "envio" que referiu?"
"Hum. Pertinentes, essas tuas questões. A primeira é de consequência inconclusiva, no entanto. Descrever-te este plano pode revelar-se tarefa difícil... e morosa. Para além de que muitas das respostas que te pudesse fornecer pertenceriam aos domínios da astronomia aplicada e da metafísica. E isto as respostas de carácter mais simplista. As restantes nem tu nem nenhum de vocês está ainda preparado para as conseguir ouvir, quanto mais perceber. O vosso raciocínio e análise cognitiva continuam a ter uma base muito humana, por isso ponho-vos isto em termos que vocês consigam apreender: este universo não é o vosso universo. As vossas regras, as vossas leis, os vossos dogmas, as vossas experiências mundanas, os vossos quotidianos: esqueçam-nos. Vocês são novos seres, com novas formas de existir, num mundo que vos é tão desconhecido e tão singular que quase que pode ser-vos vendido como sendo hostil. Vocês vão precisar de uma mente muito aberta e de sólidos espíritos de sacrifício e de equipa para conseguirem sobreviver aqui. Dá-te ao tempo e ao trabalho de sobreviver neste plano, minha querida, e ficarás a saber exactamente que plano ele é. Relativamente ao ponto de "envio", se é informação geográfica que procuras, posso informar-te, e informar-vos, que neste instante estão a pouco mais de duzentas milhas dele. Quando há pouco referi ali à tua amiga narcoléptica que aquele para quem vos encaminho e o ponto de "envio" se encontram numa mesma rota, essa afirmação não era somente de interpretação lírica: era também de natureza literal. Aquele para quem vos encaminho está no ponto de "envio". Era para lá que eu vos ia encaminhar de qualquer forma. Não vos quis estragar a surpresa, nem é essa a minha função. Aliás, muito pelo contrário: o meu exercício passa também por preservar ao máximo o vosso direito à escolha, sempre com orientação para factos, respostas e paralelismos lógicos, e abstendo-me de induções e julgamentos pessoais. De acordo com esses pressupostos, ministro-vos ainda a seguinte e pertinente nova: vocês não são obrigados a aceitar a vossa existência aqui. Podem desistir, se assim o desejarem. A desistirem, desistam agora, pois agora é a altura certa para o fazerem. Tenham, contudo, em conta que a vossa desistência acarreta consequências, e a vossa aceitação acarreta responsabilidades. Vocês podem ser responsáveis pelo vosso próprio destino, mas no destino do Universo, nesse, ninguém manda. Aqueles de vocês que desistirem agora podem ficar aqui comigo. Ofereço-vos a minha guarida até vos arranjar uma solução mais definitiva."

Apesar de ninguém se ter chegado à frente depois daquelas últimas palavras, os presentes ficaram a sentir o novo aroma no ar.
Cheirava a liberdade de escolha.

Liberdade de escolha.
Algo que a Mary só não fuma porque não há mortalhas que a enrolem.
A mesma Mary que não se encontrava na sala.

"A Mary?," alguém perguntou.
"A Mary é a aleatoriedade em pessoa. E possui uma capacidade de se esfumar no ar capaz de fazer inveja a um ninja. Ela encontra-se, neste momento, a já largas centenas de metros de distância daqui. Acho que ela estava aborrecida e decidiu ir dar uma volta. Mas deixou as suas questões," observou o ancião, enquanto colava o olhar na mesa que, actualmente, servia de centro de sala.
Na berma desta, jazia um papel geometricamente dobrado em quatro. Verni puxou para si o papel e desdobrou-o. Depois sorriu. Depois devolveu o papel à sua disposição original e arrimou-o por dentro das suas vestes. Finalmente, disse "Esta Mary... bom, quem é o senhor que se segue?" *


O senhor que se seguiu foi o Nojento.
O Nojento que, à semelhança de alguém que comete o erro de tentar engatar aves de grande porte recorrendo apenas a lábia e poses de natureza manco-sensuais, só tinha emitido meia dúzia de palavras e já tinha sido bicado, manietado, atirado por uma janela adentro e quase esmagado nas extremidades por mobiliário em queda.
"Eu? Perguntas? Perguntas não tenho. Tenho três respostas, no entanto: não, não e não. Quer-se dizer, eu chego aqui e pergunto ali àquele Boeing com penas que tem lá fora se viu por aí umas belas coxas, e o que é que ele faz? Pimbas: dá-me uma bicada tão grande na testa que eu juro que o meu cérebro ainda está à procura do seu ponto de equilíbrio. E a seguir, quando dou por mim, estou a voar estardalhadamente ali por aquela janela adentro. Eu, que não sei voar, estou a voar, por ali adentro. E depois bati com os cornos ali, ainda tenho serradura e vidro entre os dentes e aquele ali quase que me esmagou um pé!," queixou-se o Nojento com um dedo acusador na direcção do Pato. "Não. Recuso-me a fazer parte desta charada. Quero regressar. Isso e daqui não saio."
Terminada a dissertação, o Nojento cruzou os braços e entregou-se à birra.

Seguiu-se a Anatcat.
A doce, meiga, terna e desmembradora de pequenos roedores Anatcat.
"Eu gostaria de saber quem vai ficar encarregue do miau pires de natas. Ah, e quando é que vai ser o miau próximo concerto," perguntou a felídea rapariga, enquanto lambia uma das pernas numa posição considerada impossível até por alguns praticantes de ioga.
"O teu pires de natas? Sem querer parecer tendencioso, eu diria que a Player1331 é a pessoa mais indicada para esse efeito, não só pelo amor que sei que ela tem pelos outros animais, mas também por... bom, pelo amor que eu sei que ela tem pelos outros animais. É que ela tem tanto disso que ter só um amor pelos outros animais não era o suficiente," detalhou o velho. "Quanto ao teu próximo concerto, ele será quando assim o desejares. Eu só espero é que o desejes lá fora e daqui a algum tempo."

Seguiu-se o R2-D2.
O R2-D2, que a única coisa que conseguiu articular foi um "Uau. Essa posição... e as tuas botas... e essa elasticidade... e a forma como lambes a... essa língua... as possibilidades... é que um gajo... uau," tal era a magnitude da atracção que Anatcat exercia de forma erótica sobre ele.
Não era só questões que a primorosa cópia de Demis Roussos não tinha: coerência no discurso e fluxo sanguíneo acima dos ombros também não.

Seguiram-se os cento e cinquenta quilos de massa adiposa, barba e culteranismo chamados Didelet.
Os cento e cinquenta quilos de massa adiposa, barba e culteranismo quiseram deixar bem explícito que acreditavam veementemente que tudo aquilo não passava de um sonho deles, e que todos os restantes mais não eram do que manifestações de um subconsciente reprimido.
O resto do grupo olhou para ele com ar de tudo menos de manifestação de um subconsciente reprimido.
"É que, se atentarmos bem, vocês são todos... assim, bizarros, enquanto que eu sou o único aparente e perfeitamente normal. Mais uma prova de que isto só pode ser um sonho meu. Mas eu vou alinhar na brincadeira. Contem comigo."
Dito isto, o Didelet recostou-se no assento e piscou o olho ao Verni naquela do "Vá, invenção da minha semiconsciência, podes continuar com "isto"".

Seguiu-se o O Man, mas o O Man nada disse.
Manteve-se, simplesmente, a reflectir. Não sobre o que perguntar, mas sim a parede e a restante matéria que se encontrava à sua frente.

Seguiu-se, por isso, o Tiagu.
O Tiagu. A prova viva de que a verdade não é a única coisa que existe de forma nua e crua.
"Eu cá, isto, não sei, quer-se dizer, a ver vamos se, pronto, dentro do possível, se é, de facto, possível. Eu cá gostaria de, pronto, não sei se está a ver, eu cá, na verdade, o que eu gostaria mesmo era de saber se, pronto, lá está, se dava, ou não dava, que se desse é que era mesmo super-chique, para eu dar aulas ou leccionar assim qualquer coisa, está a ver, lá no ministério das magias ou o que é que é. Isto, claro, se der, que não estou a dizer que caso não dê eu arranjo forma de o lixar. Não é como se eu soubesse de coisas sobre coisas que, pronto, lá está, davam-lhe cabo das coisas a si, que eu não gostava nada de chegar a esse ponto," discorreu o Tiagu em algo que poderia ter perfeitamente sido dito em menos quinhentas palavras.
"Ministério das magias? Oh, meu caro, isto não é Hogwarts, nem nenhuma outra criação pubescente e desenxabida dessa natureza," firmou o ancião. "Neste mundo, a magia e a autodidaxia andam muito de mãos dadas. Lamento que não possa atender a essa tua aspiração. Espero que não fiques melindrado."
"Melindrado? Quem, eu? Não, claro que não. Não. Eu? Não. Como? Porquê? Porque ficaria eu melindrado? Não é como se houvesse má vontade da sua parte, que não há, porque se houvesse eu ficaria melindrado, só que eu não estou. Melindrado, quer dizer. Que se estivesse, era caso para lhe mandar agora uma chapada de mamas descaídas tão grande que até lhe virava o boneco, mas não vou mandar, porque para isso precisaria de estar melindrado, que não estou. Melindrado. Eu. Não."
Acabado o discurso, o Tiagu virou-se no lugar até ficar de forma a que ninguém reparasse que ele estava a chorar.

Por fim, o Pete.
A maior parte das pessoas gosta de acreditar em prédicas e augúrios e indagar-se esotericamente sobre o futuro.
O Pete pura e simplesmente não é uma dessas pessoas.
"Questões? Só uma: esta não é a obra completa do "À la Recherche du Temps Perdu", pois não? É que o trabalho original consistia, se não me falha a memória, de sete volumes, cada um deles definido temporal e contextualmente por distintos moralismos e intrigas socioculturais. Posso concluir que este tomo arrosta apenas o primeiro volume, vulgo "Du Côté de Chez Swann"?"
"Essa edição que alardeias é deveras especial, meu caro. Atrevo-me mesmo a dizer "única". De facto, o volume que lês neste preciso instante é o primeiro, uma história de amor narrada sobre uma terceira pessoa mas com reflexos sobre o próprio narrador, e assim que acabares esse volume, da próxima vez que abrires o livro, terás o segundo volume. No fundo, isso é um compêndio de todos os volumes que Proust redigiu e, até e inclusive, todos aqueles volumes que Proust não escreveu e não publicou devido à sua doença e premeditada morte."
"Ah. Uma edição deveras virtuosa, devo aquiescer," condisse o Pete na direcção de Verni, acrescentando depois, e já na direcção dos seus colegas de canapé, que "diria até que esta encadernação tem mais valor literário do que, quiçá, todos os cantos que Camões ladrilhou n'"Os Lusíadas"."

Esta última expressão chamou não só a atenção do Didelet, como também todos os amigos ciganos e armados com tacos da atenção do Didelet.

"Desculpa, disseste "cantos"?," interpelou o Didelet, enrolando os dedos da mão direita numa imitação muito fidedigna de um punho.
"Sim, "cantos"," corroborou o Pete.
""Cantos" como em "os cantos desta sala"?" Ouviu-se o crepitar estaladiço dos nós dos dedos do Didelet.
"Não. "Cantos" como em "trechos líricos" ou em "aglomerados de estrofes"."
""Cantos" como em "trechos líricos" ou em "aglomerados de estrofes"? Esse tipo de "cantos"?" O Didelet começou a rodopiar o braço direito de forma a aquecer as juntas.
"Esse tipo de "cantos"," complementou o zombie.
"Ah. OK. Era só para confirmar," disse o Didelet, imediatamente antes do *CRACK!* do estalar doentio do pescoço do Pete, fruto e obra do esquizofrénico malhanço que o resto do grupo viria a reconhecer como "o primeiro dos muitos socos que se seguiram".

Lá fora.
Jardim por detrás do Bivaldi.
Tudo relativamente calmo e silencioso, tirando o teimoso chilrear de um pequeno pássaro que insistia em dizer "chip, chip" sem perceber absolutamente nada de informática e hardware.
Bivaldi bocejou, daquela forma como só os octópodes sabem bocejar.
Depois, coçou com nobre aborrecimento uma das suas paredes laterais com um dos tentáculos.
Só depois disso tudo é que veio o gigantesco e sobrenatural urro.

A sua parede traseira explodiu em mil e uma lascas por todo o jardim posterior.
Pelo meio da serradura, era perceptível um vulto: o vulto cadavérico do Pete que, qual paródia com a decadência do seu estado exânime, aparentava estar mais morto que morto-vivo.
Dos escombros que até há bem pouco tempo eram o espinhaço edificado da criatura que o albergava, emergiu o Didelet a soprar a mão, da mesma forma como quem sopra o fumo do cano de um revólver.
Bivaldi ou, no limiar, a amálgama de tentáculos que subsistia sobre o lote mais rígido e alicerçado do casebre, revolveu sobre si mesmo. Não era preciso ser-se grande guru para verificar que o bicho estava furioso.
O Didelet esboçou um olhar para cima, mas a única coisa que conseguiu ver de forma clara foi a parte do tentáculo que não estava enrolada à volta da sua cintura.
Bivaldi apertou e içou o Didelet no preciso instante em que a restante maralha começava, impelida pela curiosidade, a brotar do rombo no tabique.
O Didelet ainda pensou em bradar alto e bom som um "É bom que me pouses já se sabes o que é bom para a tosse", mas ser violentamente arremessado pelos ares tende a dificultar a coerência de brados de natureza alta e bem sonora.
Ao invés disso, o Didelet declamou um "AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAaaaaaaaaaaaaaaaaaaaahhhhhhhhhh" que se prolongou durante as largas centenas de metros que voou floresta adentro.

Dentro da moradia, Verni suspirou e sacudiu o pó da véstia. Olhou em volta para o cascalho e para tudo aquilo que havia sido, e não há tanto tempo quanto isso, a sua sala. Depois, olhou para o candelabro que, de forma cínica para com o resto dos acessórios, ainda pendia teimosa e intactamente do tecto. O candelabro sentiu-se observado e até mesmo um pouco estúpido por porfiar naquela insistência, e por isso decidiu soltar-se e estilhaçar-se mesmo no centro da ex-mesa de café.
Quase toda a turba havia saído em perseguição do tumultuoso duo. Verni fitou um abandonado O Man.
"Olha," disse o velho, "vou só ali acabar a deliberação para com eles. Queres vir comigo?"
O O Man soltou um silêncio ensurdecedor.
"Bom, eu sei que o que eu vou dizer não te serve, não é? Eu sei que já tomaste a tua decisão, mas vou-te levar na mesma. Não teria qualquer jeito deixar-te aí completamente sozinho."

Da lateral por onde o Pete foi visto a voar pela última vez, surgiu Cordon com uma merendeira improvisada. O mordomo esgaçou um ajeitar de bigode na direcção do seu senhor.
Verni assentiu com a cabeça. "Sim, Cordon: podes começar a limpar esta trapalhada. Deixa estar que eu levo-lhes as panquecas."

Lá fora, faziam-se desenhos no solo fruto de impacientes pegadas.
Faziam-se votos de que o Didelet estivesse bem.
Mas, acima de tudo, faziam-se apostas.
"Cinco euros em como ele aterrou de chapa contra um pinheiro," opinou o Pwfh.
"Cinco euros em como tu não tens cinco euros," retorquiu o R2-D2.
"Não se preocupem com o Didelet," alvitrou Verni a sair do couto com o O Man debaixo de um braço e uma lancheira na mão do outro. "O Bivaldi teve a decência de o arremessar indecentemente na direcção que é suposto vocês seguirem. E não, minha querida," disse o ancião para uma Player1331 de dedo espetado no ar e de pergunta feita, "não precisas de te preocupar com o Bivaldi. Acredita quando te digo que ele já esteve em piores apertos do que este. Para além do mais, seres mágicos como ele não sofrem com rombos superficiais da mesma forma que nós sofremos. Foi mais pela falta de educação do Didelet do que pelo dano sofrido que ele castigou o teu amigo."

"Então e o Pete?," indagou perturbadamente a Anatcat.
O Pete soergueu-se de forma atabalhoada do solo. "Quem, eu? Está tudo bem. Isto foi mais espalhafato que outra coisa."
"Hum... Pete."
"Sim?"
"A tua cabeça..."
"U-hum?"
"... e o resto do teu corpo..."
"Sim?"
"... não parecem estar muito de acordo contigo."
"De acordo? O que é que queres dizer com... ah," soltou o Pete, enquanto olhava, de forma baça e relativamente difusa, para baixo, para as suas costas e o seu próprio rabo.
"Hum. Isto não está no sítio certo, pois não?" Como quem gira uma porta giratória, o Pete repôs a cabeça no devido sentido.
"E agora? Melhor?"
"Sim, melhor. Só falta mesmo tirar aí a... coisa," repicou a Anatcat. "Do olho."
O Pete levou as mãos à zona ocular. Uma pessoa normal esperaria encontrar ramelas ou algo de igual e viscosa significância. O Pete encontrou uma colher de chá cravada no seu olho esquerdo.

O zombie desengastou a colher do glóbulo no preciso momento em que surgiu, da ponta oposta de Bivaldi, um sonoro estridor.
Ou aquilo era um pio de Uasou, ou então alguém estava entretido a cortar azulejo do outro lado da cabana.
Ouviu-se o som de metros e metros de envergadura de asas a baterem e a levantarem voo. Por cima do casebre, surgiu o vulto da possante ave. Ou aquilo a que se poderia chamar de o seu vulto. É que a sombra de Uasou está para os vultos como um indivíduo morbidamente obeso está para o conceito de "uns quilinhos a mais".
"Ah. Aí estão eles," pronunciou Verni, mais a sorrir as palavras do que a decretá-las.
Uasou descreveu um semicírculo no ar e aterrou num salgueiro junto ao grupo, impondo todo o seu peso e usando toda a árvore como um grande poleiro.

Do seu bico, pendia algo de redondo, amarelo e achatado.
"Olha," manifestou a Anna enquanto passava a raia para o exterior envergando um vestido que, mesmo se usado ao abrigo de um conto de fadas, já era estar a esticar a corda. "Parece que alguém deu uma bolacha ao Uasou."
"Aquilo não é uma bolacha," retrucou o velho. "Aquilo é um dos vossos novos companheiros. Podem tratá-lo por A."

Com alguma atenção, o grupo começou a entrever uma feição na não-bolacha. Um sorriso. Um longo e demorado sorriso. Não: não um sorriso. Um sorriso é algo que advém do acto de sorrir. Aquilo que o anunciado novo companheiro ostentava aparentava ser algo mais talhado nele do que uma cicatriz.

"Incrível: a minha nova vida ainda agora começou e já estou com vontade de me reduzir a nada," reconveio o A. "Alguém que diga a esta avestruz que diminua a força que está a exercer sobre mim, pois não é só a carne que é fraca: o plástico de que sou feito também."
"Um smiley Nietzschiano! Oh, quanta ironia!," escarneceu o Pete.
"Chavalo, ainda agora chegaste e já tiveste direito a um bico. Respect!," proclamou o Pwfh.

"Espera," invocou a Player1331, claramente ainda interessada em manter alguma lógica nos acontecimentos. "O Verni disse "um dos"? Isso significa mais do que um, certo? Se assim é, onde estão os outros?"
"Os outros não sei, mas eu estou aqui. Permita-me apresentar-me: o meu nome é Drake. E não, o prazer é todo meu, minha senhora," disse o ombro da Player1331, ou algo de incredulamente pequeno alojado no ombro da Player1331.

Da orla da floresta, no alinhamento do sítio para onde o Didelet havia sido catapultado, veio um som que milhares de anos de evolução contínua não conseguiram abafar: o som do puxar de uma escarreta.
"Pá, mas isto anda-se ou é para continuarmos aqui a fazer festinhas às palavras?," disse alguém.
Alguém envergando uma camisa de colarinho pontiagudo, umas calças de boca-de-sino e encharcado em medalhões de ouro. Alguém montado num panda. O urso, não o carro. Alguém que, apesar de não ser um acrónimo, dava pelo nome de AD.

Por esta altura, vários dos elementos do grupo começavam a sentir a sanidade a querer estalar. Era como se a sanidade fosse um vaso, a realidade que conheciam fosse a mesa de onde esse vaso está a ameaçar cair e o homem de camisa de colarinho pontiagudo, calças de boca-de-sino, medalhões de ouro e montado num panda fosse a gravidade. Daquele tipo de gravidade que tem orgulho naquilo que faz e que nunca tira férias.

"Mas, diz-me uma coisa, jovem de gosto duvidoso em roupas: tu estás a par de alguma das coisas que foram discutidas até agora?," interpelou a Cblues.
"Sim, sim, estou. É para ir não sei quê ver da cena que coiso, não é? É. E isso é que interessa. O resto é detalhe," tachou o AD.

Verni olhou para a reestruturação do grupo de uma forma puramente matemática. E a aritmética da coisa parecia-lhe tudo menos calculista.
"Saem dois, entram três. As contas não batem certas. As contas definitivamente não batem certas. E ele já deve saber da vossa decisão e tudo. E aposto que não está nada contente. Mesmo nada contente. Aposto que já está a tomar medidas e tudo. Oh, que isto vai ser ainda mais divertido do que eu pensava!," pensou Verni de si para si.

Seguiu-se meia hora de apresentações, elucidações, discussões, empatias, decisões, delineações, motes e limpeza de entulho do pátio. Esta última apenas por parte de Cordon e do seu inalterável enfado.
Nesse meio-tempo, a Mary havia regressado do seu furtivo passeio adornada, na cabeça, com uma grinalda de flores. Algumas delas já meio comidas. Por ela.
O Nojento e o O Man decidiram que ficar para trás era a melhor decisão ou, na melhor das hipóteses, o melhor acto de cobardia disfarçado de decisão.
Aos restantes, aos ali manifestos, aos que, basicamente, aceitaram querer descobrir a verdade e o porquê, Verni facilitou uma das suas últimas ajudas. "Transporte, aprovisionamento e alojamento. Vocês vão precisar de transporte, aprovisionamento e alojamento. E os vossos estão ali."
Verni apontou para as três mesas de esplanada assentes sobre plataformas rochosas que povoavam um dos cantos escusos do jardim. Três enormes chapéus-de-sol serviam de dossel a, respectivamente, cada uma das mesas.
O R2-D2 começou a afirmar "Então mas de que forma é que mesas de jardim nos vão-," mas depressa se calou.
As mesas começaram a saracotear-se, e as plataformas de pedra começaram a elevar-se no ar. Meras superfícies rochosas transformaram-se em escolhos. Escolhos com pernas, placas, carapaças e pequenas cabecinhas retrácteis.
As três tartarugas aguardaram com as suas naturais paciências que toda a terra solta e a poeira lhes escorresse das carapaças antes de, e com meia-volta, encararem o grupo com olhares de sonolenta languidez. Degraus talhados nas carapaças definiam o caminho até às mesas no topo de cada um dos animais, e só agora é que o grupo via que tanto as mesas, como as cadeiras, como os chapéus-de-sol estavam atarraxados à superfície da carapaça.
"Estas são a Chobin e a Magner, e aquele senhor ali é o Wozart. Eles serão a vossa companhia, bem como a vossa estadia e a vossa transportadora oficiais. No topo de cada um deles, encontrarão um alçapão. Estes dar-vos-ão, no caso de Chobin e Magner, acesso às despensas, artilhadas com víveres suficientes para não se preocuparem com comida e com bebida durante largo tempo. Wozart será o vosso motel ambulante."
"Wow. Mas estes bichos têm fundo?," interpelou o Pwfh, já empoleirado nas costas de Magner e de cabeça enfiada no alçapão. "Isto tem escadas para descer e tudo. E, que eu veja, não há fim para as prateleiras cá dentro. O que quer que o velho tenha feito com o interior ali da casa-choco, também fez com estes bichos."

"É bem verdade. Não é só Bivaldi que abdica um pouco das leis da regular Física em prol de um pouco mais de espaço e conforto. E temo que praticamente nada mais tenha para vos dar ou acrescentar. Aconselho-vos a porem-se a caminho se querem apanhar o Didelet. O coitado deve estar a sentir-se meio perdido neste preciso instante. E, caso também sintam que estão perdidos ou necessitam de orientação para o ponto de "envio", não hesitem em consultar os marcos existentes ao longo do caminho. Desejo-vos toda a sorte deste mundo, meus amigos."



Após quase dois anos, o Narrador procura saber:

Em que tartaruga gostariam de ir? Com quem gostariam de viajar lado a lado?

Submetam os vossos trâmites iniciais na viagem por comentário ou, caso não pretendam dar a conhecer a vossa intenção a terceiros, submetam por email.
Todos menos o Didelet, que esse já tem o destino traçado.
São livres de optar por não fazer nada.

Para efeitos de intrigas e conspirações, o email contameumaestoria@gmail.com permanece sempre ao vosso dispor.

18 comentários:

player1331 disse...

Finalmente :D
Vou só à fisio e já falo contigo pode ser?

até jázinho sim?

grassa disse...

Promessas.

Isa disse...

Bom, pra já é só pra dizer que pra quem se queixa de extensão do que os outros escrevem ... vai lá vai.

Já retorno.

grassa disse...

Prometo que os outros capítulos serão bem menos extensos.

Zaahirah disse...

Credo, isto é literatura para as férias inteiras! Vou lendo 1 parágrafo por dia. Lá para o Natal já terei acabado.

Isa disse...

A extensão contrasta com a facilidade de leitura, começa-se e não se consegue parar, ainda bem que já tinha feito o jantar e arrumado a cozinha.
O detalhe na descrição dos personagens e nas situações, soberbo! Até a pontuação está um mimo (raioquetaparta!) os personagens que conheço estão uma cópia do que lhes conheço fora da estória, a variação estilistica do léxico está, para mim, muito bem conseguida e complementada.

Parti-me a rir com a deixa do Grilu e quando eu crescer quero ser como a Mary.

São coisas assim que me fazem sentir especial por vos conhecer.

Foda-se!

Drake disse...

Ah assim sim :D

Bem eu, já que estou confortavelmente alojado no ombro da player1331, posso continuar confortavelmente alojado no ombro da player1331.

Gata das Botas disse...

Bolas! Podias ter escrito isto antes de eu ter ido de férias que eu imprimia e já tinha o que ler na praia!

Legião da Sombra, escombros e mesmo também debaixo de algumas pedras (Cpt. Xilema, FOX, Messias, Marcx e Soninho) disse...

Li primeiro na diagonal topo esquerdo canto inferior direito e depois, logicamente, li a outra diagonal, canto superior direito topo inferior esquerdo. Tirando o uso da palavra vampiros (estou cheio de merdas com vampiros, chupadores de sangue e twatlights), gostei, apesar da mescla (muito bem propositada, na minha opinão...) de Matrix (só faltava terem que tomar um comprimido vermelho), Star Wars 4,5 e 6, laivos de incoerência à lá Quentin e montes de outras referências... apreciei muito do pormenor da inversão das letras p e w de Chopin e Wagner!!! Que querem, tenho gosto pelos pormenores!!!

Cpt. Xilema

FUPAMP - O comprimido vermelho!

grassa disse...

Fico contente que tenhas gostado, mas lamento informar que isto vai ter tendência para melhorar.

AD disse...

Já tomei nota mental para que da próxima vez que me perguntes o que é que tenho vestido eu não partir do princípio que estás a flirtar e mentir.

grassa disse...

Sabes que para uma pessoa estar vestida isso implica ela ter roupas no corpo, não sabes?

Claro que sabes.

anatcat disse...

Vamos todos no Wozart.

Quanto à Chobin e a Magner, uma deve ser para fazer as refeições, pequeno-aolmoço, almoço, lanche, jantar e ceia, a outra deve ser para sair à noite, beber uns copos, ir ao cinema, onde se fazem os concertos etc.

(Escusavas de ter frizado tanto que eu canto extraordinariamente mal, desafinada e estridente, mas ok, quem diz a verdade não merece castigo e assim como assim já toda a gente sabia.)

Isto está espectacular.

A disse...

eu quero ir na Wozart! é essa que tem a pipa de "vinho da pipa", não é?

A disse...

ah! e desculpa a demora.

A disse...

porra, a wozart é o motel... bem, meninas, vou estar lá à vossa espera!

A disse...

...provavelmente a chorar.

grassa disse...

:D

Sem stress, André.

Conheço uma pessoa que esteve quase dois anos sem dizer nada.

...

E não estou a falar do meu pai.